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Dólar mantém estabilidade apesar da aversão global ao risco

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Após oscilar durante o dia, o dólar à vista fechou esta quarta-feira (11) cotado a R$ 5,1593 (+0,03%). Os operadores destacaram que o real apresentou um bom desempenho em um cenário externo dominado por aversão ao risco e pela valorização do dólar, em meio a incertezas sobre a duração e os efeitos da guerra no Oriente Médio.

O dólar caiu nos três últimos pregões, com perda semanal de 1,61%, o que faz os ganhos acumulados em março diminuírem para 0,49%. Analistas afirmam que o real tem sido menos impactado pelo conflito devido ao fato de o Brasil ser exportador líquido de petróleo e possuir uma taxa de juros real alta.

Considerando os efeitos inflacionários da guerra, via aumento do preço do petróleo, uma parte significativa do mercado revisou para baixo a expectativa de reduções na taxa Selic ao longo deste ano. Crescem as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) adote uma postura mais cautelosa, podendo decidir por um corte inicial de 0,25 ponto percentual na semana que vem (dia 18).

O economista André Perfeito, da Garantia Capital, destaca que o real é beneficiado tanto pelo superávit na balança de petróleo quanto pela importância das empresas de commodities na bolsa brasileira. “São dois fatores que atuam a favor da moeda local, ajudando a minimizar os impactos mais evidentes do conflito no Brasil”, explica Perfeito.

Após uma queda superior a 10% nesta quarta, os preços do petróleo Brent para maio voltaram a subir mais de 4%, ultrapassando US$ 90 o barril. As incertezas permanecem sobre o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% da oferta global da commodity.

Pela manhã, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou que países membros concordaram em liberar 400 milhões de barris de reservas emergenciais, o que ajudou a conter a alta dos preços.

O especialista em investimentos Bruno Shahini, da Nomad, ressalta que o clima de maior cautela devido ao conflito no Oriente Médio tem favorecido o dólar no mercado internacional. “O mercado também está ajustando as expectativas para a política monetária americana, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve”, comenta Shahini.

O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, registrou alta e ultrapassou a marca de 99.000 pontos, chegando a 99.299 na máxima. Em março, o Dollar Index já acumula ganhos superiores a 1,60%. Entre os pares do real, destaca-se a leve valorização do peso colombiano, também impulsionado pela alta do petróleo.

A leitura do índice de preços ao consumidor (CPI) em fevereiro, em linha com as expectativas, não alterou a perspectiva dominante de retomada dos cortes de juros pelo Fed em julho, com probabilidade pouco acima de 50%.

“A leitura da inflação foi moderada, sem impacto significativo ainda da energia. O aumento do petróleo deve impactar a leitura de março, que virá com pressão maior”, afirma a economista Isadora Ribeiro, da AZ Quest, ressaltando que o resultado não muda a previsão de manutenção dos juros na reunião de política monetária do Fed na próxima semana (dia 18).

No cenário doméstico, o Banco Central informou que o fluxo cambial em março (até o dia 6) foi negativo em US$ 3,897 bilhões, devido à saída líquida de US$ 6,812 bilhões pelo canal financeiro, que inclui investimentos em carteira. No acumulado do ano, o saldo total é positivo em US$ 6,599 bilhões, com entradas líquidas de US$ 2,316 bilhões pelo canal financeiro e de US$ 4,283 bilhões através do comércio exterior.

Pesquisa Genial/Quest sobre a corrida presidencial divulgada no início da tarde não teve impacto significativo na formação da taxa de câmbio. O levantamento indicou, pela primeira vez, empate nas intenções de voto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno.

“O mercado já considera uma disputa muito acirrada nas próximas eleições presidenciais, que neste momento estão em segundo plano. O foco atual está em como tanto o Fed quanto o Copom vão agir nas próximas reuniões diante dos possíveis impactos da guerra sobre a inflação”, destaca o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.

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