Brasil
EUA podem gerar problemas para Brasil classifcando facções como terroristas
Lincoln Gakiya, promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo, alertou que a possível classificação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas pode representar um sério risco para a soberania do Brasil.
Ele declarou, em entrevista ao jornalista José Luiz Datena no programa Alô Alô Brasil da Rádio Nacional, que essa designação pode abrir espaço para operações militares secretas da CIA ou de forças especiais estadunidenses na fronteira ou até dentro do território brasileiro.
Com mais de 20 anos de experiência investigando o PCC e vítima de ameaças de morte que o fizeram viver sob escolta policial por mais de uma década, Gakiya é um dos maiores especialistas em crime organizado no país. Para ele, as facções devem ser qualificadas como organizações criminosas do tipo mafioso, não como terroristas.
Segundo o promotor, a maioria dos países segue o conceito da ONU para terrorismo, que define tais atos como violentos e motivados por ideologias, como crimes de ódio ou políticos, características que não se aplicam ao PCC ou CV. Esses grupos possuem atuação transnacional, organização empresarial, infiltração nos poderes públicos através da corrupção e controle territorial, atributos típicos do crime organizado mafioso.
Lincoln Gakiya avalia que classificar as facções como terroristas traria mais prejuízos que benefícios, pois mudaria o tratamento estadunidense da segurança pública brasileira para uma perspectiva militar e de segurança nacional. Isso acarreta graves consequências para o Brasil.
A legislação dos EUA permitiria ações militares em outros países caso haja ameaça à segurança de seu território ou população. Além disso, o Brasil poderia ser alvo de severas sanções econômicas, o que poderia levar até multinacionais a retirar suas sedes do país.
Outra mudança seria o aumento do sigilo na troca de informações entre agências de segurança dos dois países, centralizando os dados na CIA e órgãos militares, o que prejudicaria investigações e cooperações conjuntas.
Uma parte da população, influenciada por ideologias políticas, acredita que esta classificação endureceria o combate ao crime e traria mais recursos estrangeiros, mas Gakiya destaca que isso transformaria as facções em ameaça à segurança nacional dos EUA e o controle da questão passaria para o âmbito militar, reduzindo a colaboração policial com órgãos como FBI e DEA.

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