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Economia

Por que o preço do petróleo continua subindo mesmo com a liberação recorde de reservas?

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As maiores economias globais decidiram liberar uma quantidade inédita de reservas estratégicas de petróleo, mas essa ação não conseguiu tranquilizar os investidores nesta quinta-feira (12), e os preços ultrapassaram os 100 dólares (cerca de 515 reais) por barril.

Os recentes ataques iranianos contra infraestruturas energéticas e o receio de um conflito prolongado vieram a agravar a situação, neutralizando o efeito da liberação histórica das reservas.

A AFP detalha os motivos pelos quais essa liberação não foi suficiente para estabilizar os mercados de petróleo.

Oferta insuficiente

Os países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram na quarta-feira (11) em liberar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas, a maior liberação já feita.

Essa medida visava mitigar o impacto imediato da guerra no Oriente Médio sobre os mercados de energia.

Os Estados Unidos, o maior consumidor e produtor mundial de petróleo, fornecerão gradativamente 172 milhões de barris em três meses, representando 40% de suas reservas atuais.

No entanto, os especialistas dizem que essa quantidade é pequena demais para compensar a interrupção causada pelos ataques americanos e israelenses contra o Irã, iniciados em 28 de fevereiro.

Os estrategistas de commodities do banco ING observaram que a liberação está muito aquém das perdas de suprimento que estão sendo observadas no Golfo.

A AIE informa que a produção mundial diária caiu em pelo menos 8 milhões de barris, com um corte adicional de 2 milhões relacionado aos derivados do petróleo.

Neil Wilson, estrategista da Saxo UK Investor, afirmou que é pouco provável que o fluxo das reservas consiga compensar totalmente a perda na produção.

Ele destacou que essa medida é temporária e limitada, e que o ponto crucial é reabrir o Estreito de Ormuz, vizinho ao Irã e por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo bruto mundial.

Ataques nas infraestruturas

Além disso, os preços também sobem devido a uma nova série de ataques iranianos contra alvos energéticos na região do Golfo.

A AIE alertou que a guerra está causando a maior interrupção no fornecimento da história do mercado global de petróleo.

Mísseis de retaliação e ataques com drones quase paralisaram o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

Infraestruturas energéticas em toda a região têm sido alvos frequentes.

O Bahrein declarou que um ataque iraniano atingiu depósitos de combustível em Muharraq nesta quinta-feira, enquanto múltiplos drones atacaram depósitos em um porto de Omã.

A Arábia Saudita afirmou ter interceptado dois drones que se dirigiam ao seu campo petrolífero de Shaybah.

Enquanto isso, grandes empresas petrolíferas do Golfo foram obrigadas a reduzir a produção devido à falta de capacidade de armazenamento.

Conflito prolongado

O mercado é ainda mais afetado pela perspectiva de um conflito duradouro.

Apesar de o presidente americano Donald Trump ter afirmado que a guerra poderia acabar “em breve”, o Irã advertiu que o conflito pode se estender por um longo período, o que traria consequências graves para a economia mundial.

Jim Reid, analista do Deutsche Bank, mencionou que os investidores estão cada vez mais se preparando para um conflito prolongado que causaria danos econômicos significativos.

A AIE informou que não há sinais de que as hostilidades estejam diminuindo nem um plano definido para restaurar os fluxos normais através do Estreito de Ormuz.

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