Economia
gasolina e diesel sobem nos postos do rio e pesam no bolso
Com a tensão crescente provocada pela guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz — uma rota marítima crucial para o comércio global de energia — os preços do petróleo dispararam, afetando diretamente os consumidores. Postos de combustíveis no Rio de Janeiro foram visitados em duas ocasiões recentes, onde nove de dez estabelecimentos já apresentaram aumentos de até 8,71% nos preços.
Em um posto na Região Central do Rio, o preço do diesel saltou de R$5,97 para R$6,49 em apenas sete dias. A gasolina também subiu 5,27%, passando de R$6,07 para R$6,39, enquanto o etanol foi de R$4,83 para R$5,09, representando as maiores altas do levantamento.
Somente um posto localizado em Botafogo, na Zona Sul, não exibiu nenhum reajuste. Em outro da Zona Norte, os preços da gasolina e do etanol se mantiveram, mas o diesel aumentou de R$6,29 para R$6,49.
A Petrobras, principal produtora nacional e dona da maioria das refinarias, mantém uma política de preços que evita repassar imediatamente as variações do mercado. Entretanto, outras refinarias privadas que não seguem esta política fazem com que os aumentos sejam comuns em muitos postos.
Além disso, o Brasil depende da importação de gasolina e diesel, cujo preço é indexado ao mercado internacional. Assim, qualquer alta no petróleo no mercado externo pode influenciar rapidamente os valores cobrados localmente.
Para conter o impacto, o governo anunciou um pacote de medidas focado no diesel, incluindo subvenção para importadores e produtores, isenção dos tributos federais PIS e Cofins, criação de impostos temporários sobre a exportação e fiscalização para garantir que os descontos sejam repassados ao consumidor final.
No entanto, a Petrobras comunicou que, a partir deste sábado, aumentará o valor do diesel para as distribuidoras em R$0,38 por litro, uma alta de 11,6%. Segundo a presidente da estatal, Magda Chambriard, o aumento seria ainda maior sem o pacote do governo.
Com a redução dos tributos, o impacto do aumento deve ser amortecido para os consumidores finais.
Eduardo Castro, 59 anos, que abastecia seu carro em um posto no Maracanã, comenta que o aumento era esperado e que a situação da guerra influencia diretamente os preços.
“A perspectiva nunca é de melhora. Temos que nos adaptar a tudo isso”, disse Eduardo, dono de uma locadora de veículos.
Para ele, a medida de isentar o PIS/Cofins é positiva, mas questiona a efetividade da fiscalização nos postos.
“Não acredito que isso funcione, já que a fiscalização diminuiu. Muitos relatos indicam bombas adulteradas ou preços abusivos, como o diesel a R$8 no Méier. O consumidor precisa pesquisar para encontrar melhores preços”, alertou.
Felipe Furtado, 30 anos, motorista de aplicativo, que abasteceu em Botafogo — o único posto sem aumento no levantamento — destaca o uso de aplicativos com cupons de desconto como estratégia para amenizar o custo crescente.
Felipe afirmou: “Os preços subiram muito em pouco tempo. Para tentar equilibrar, uso apps com descontos, pois esses aumentos pesam muito no orçamento”.
Já a taxista Cristiane Praça, 57 anos, relata que os consumidores estão sem opções.
“Preciso trabalhar e abastecer. Gasto cerca de R$120 por dia com etanol normalmente, mas com esse aumento vou gastar R$150. Posso fazer corridas extras para compensar, mas para quem recebe salário fixo, a situação é pior. Está difícil para todos”, comentou.
O aumento nos preços dos combustíveis reflete a conjuntura internacional e as políticas internas, impactando significativamente o dia a dia dos cariocas que dependem de veículos para trabalhar e se locomover.

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