Mundo
Relator da ONU critica EUA por execuções em bombardeios antidrogas no Caribe
O relator especial da ONU para a luta contra o terrorismo e os direitos humanos, Ben Saul, denunciou na sexta-feira (13) que os Estados Unidos cometem “execuções extrajudiciais” em suas operações antidrogas nas águas do Caribe e do Pacífico.
Desde setembro do ano passado, o governo do presidente americano Donald Trump conduz uma intensa campanha naval contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas, resultando na morte de mais de 150 pessoas.
Ben Saul declarou em vídeo durante uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizada na Cidade da Guatemala, que essas execuções em série violam gravemente o direito à vida. A audiência discutiu a presença militar americana na região.
Ele afirmou que os Estados Unidos mataram ilegalmente os supostos narcotraficantes em ataques militares sem provocação prévia.
Ben Saul criticou a violência usada sob a justificativa legal pela administração americana, que desrespeita os direitos humanos na chamada guerra contra o narcoterrorismo.
O governo dos EUA não apresentou evidências para comprovar que as embarcações atacadas estivessem envolvidas em atividades ilícitas.
Conforme o relator, 151 pessoas morreram nas operações, enquanto o diretor da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), Jamil Dakwar, presente na audiência, citou 157 mortes, além de três sobreviventes e nove desaparecidos.
O representante dos Estados Unidos, Carl Anderson, afirmou que a audiência tratava sobre o direito de guerra, área na qual a comissão considera não ter competência.
O presidente da CIDH, Stuardo Ralón, esclareceu que a audiência serve como um espaço para diálogo e não faz parte de nenhum processo formal da comissão.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login