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Petro acusa Equador de bombardeio na Colômbia; Noboa nega
As tensões entre os governos da Colômbia e do Equador aumentaram após Gustavo Petro, presidente da Colômbia, levantar a hipótese de que o país vizinho teria lançado bombas dentro do território colombiano. Petro afirmou que é necessário confirmar se as bombas foram lançadas pelas forças de segurança do Equador.
“Bombas foram lançadas de avião, vamos investigar cuidadosamente, especialmente na fronteira com o Equador, o que reforça minha suspeita. É necessário investigar a fundo. Estamos sendo bombardeados a partir do território equatoriano e não é ação de grupos armados. Já houve várias explosões”, declarou Petro.
O presidente colombiano mencionou a existência de uma gravação sobre o incidente que, segundo ele, vem do Equador e pediu que seja divulgada. Petro também comentou ter discutido o caso com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Há algo estranho. Pedi a Trump que intervenha e convoque o presidente do Equador, pois não queremos um conflito armado”, acrescentou durante reunião ministerial em Bogotá no dia 16.
Resposta do Equador
Por meio das redes sociais, o presidente do Equador, Daniel Noboa, negou qualquer operação no território colombiano.
“Presidente Petro, suas afirmações são falsas; estamos atuando em nosso próprio território e não no seu. Não recuaremos”, respondeu Noboa, acusando a Colômbia de permitir que traficantes, liderados por Fito, se refugiem em seu país.
“Com cooperação internacional, seguimos combatendo e bombardeando locais que serviram de esconderijo para esses grupos, em sua maioria colombianos, infiltrados devido à falta de controle na fronteira pela Colômbia”, concluiu Noboa, em Quito.
Conflito e relações bilaterais
Este episódio intensifica a deterioração nas relações entre Colômbia e Equador, especialmente após Quito aumentar as tarifas sobre produtos colombianos em 30% em fevereiro. Noboa apelidou essa medida de “taxa de segurança”, devido à insatisfação com o combate colombiano ao crime na fronteira.
Em retaliação, a Colômbia suspendeu o fornecimento de energia elétrica ao Equador e aplicou uma tarifa de 30% sobre 70 produtos importados do país vizinho.
Alianças do Equador com os EUA
O Equador vem firmando vários acordos de cooperação com os Estados Unidos para combater o narcotráfico, categorizando as organizações criminosas como “terroristas”, alinhando-se à política do governo Trump.
Daniel Noboa chegou a consultar a população sobre a abertura de uma base militar estrangeira, medida rejeitada por 60% dos votos. Recentemente, Quito inaugurou a primeira sede oficial do FBI no país e firmou acordos para operações conjuntas.
Contexto político interno
A Justiça Eleitoral equatoriana suspendeu por nove meses o registro do partido de oposição Revolução Cidadã, ligado ao ex-presidente Rafael Corrêa, prejudicando sua participação nas eleições de 2027. A candidata derrotada de 2025, Luisa González, está sob investigação por suposto financiamento da Venezuela, acusações que nega.
Ações militares dos EUA na América Latina
Nas últimas semanas, os EUA têm estreitado suas relações militares na América Latina, justificando suas ações como combate aos cartéis de drogas e para conter a influência econômica de rivais como China e Rússia.
Essa política faz parte da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA e reafirma a Doutrina Monroe, estabelecendo a liderança dos EUA na região. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chegou a advertir que os EUA podem agir unilateralmente nos países latino-americanos, se necessário, para combater o narcotráfico, mesmo que isso invada a soberania nacional.

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