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Governo quer se distanciar do STF para evitar problemas no caso Master
Após manter o Supremo Tribunal Federal (STF) como aliado e contraponto ao Congresso durante os três anos do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo agora busca se distanciar da Corte no escândalo do Banco Master. Auxiliares do presidente revelam em conversas reservadas que caberá a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli explicarem os fatos levantados pela investigação, e que a gestão Lula não atuará para protegê-los.
Os governistas argumentam que até o filho do presidente, o empresário Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), está sob investigação devido à sua relação comercial com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, preso sob suspeita de desviar recursos de aposentados e pensionistas. Portanto, não haveria como interferir no trabalho da Polícia Federal (PF).
Apesar do desejo da equipe de governo de se desvincular do STF, não há previsão de manifestações públicas a esse respeito até o momento. Esses auxiliares reconhecem que, devido ao histórico a partir do 8 de Janeiro, o presidente Lula é associado à Suprema Corte pela população, e as denúncias contra seus ministros impactam a popularidade do chefe do Executivo.
Conforme reportado pelo colunista Lauro Jardim, do GLOBO, em conversas privadas, Lula tem expressado insatisfação com Moraes, temendo que a controvérsia sobre o contrato envolvendo o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci, com o Master, respingue negativamente nele.
Recentemente, membros do governo demonstraram apreensão com a estratégia de afastamento, após receberem mensagens de ministros da Corte indicando que a instituição está sendo atacada.
Até o ano passado, integrantes do primeiro escalão acreditavam que o STF era um dos pilares da governabilidade do terceiro mandato de Lula. Por exemplo, em julho de 2025, Moraes decidiu manter a maior parte do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que havia sido derrubado pelo Congresso, favorecendo o governo no principal impasse entre Executivo e Legislativo até então.
Encontros regulares
No início do mandato petista, ficou acertado que o presidente se reuniria mensalmente com um grupo restrito de ministros do Supremo. Após novas nomeações, esse grupo passou a incluir, em 2024, Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. A rotina difícil impediu que os encontros fossem mensais, mas ocorreram de forma espaçada, sempre com o intuito de discutir o panorama político do país, sem pauta específica. Segundo um integrante do governo, neste ano, após o surgimento do caso Master, essas reuniões não aconteceram.
Para se distanciar dos ministros, o Planalto adotará o discurso de que as autoridades agem de forma republicana, cabendo a cada um dos implicados nas investigações prestar seus esclarecimentos. A referência aos membros do Supremo será implícita.
Há uma distinção no tratamento dado a Toffoli e Moraes. Mesmo em conversas reservadas, auxiliares do presidente criticam a conduta de Moraes, afirmando apenas que ele deve se explicar. Sobre Toffoli, prevalece a ideia de que ele perdeu a chance de limpar sua imagem, tanto pelas decisões tomadas quando relator do processo contra o banco no STF, quanto pelas revelações das investigações sobre o resort Tayaya, no interior do Paraná.
Integrantes do governo preveem muitos desdobramentos do escândalo que afetarão o cenário político até as eleições. Para se desvincular do caso, o governo aposta em promover, tanto em pronunciamentos oficiais quanto em mobilizações do PT nas redes sociais, que o escândalo do Master foi originado no governo Bolsonaro, e que o Banco Central, sob a gestão de Roberto Campos Neto, foi leniente em relação às irregularidades na condução da instituição.
As conexões de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), são minimizadas. A alegação oficial é que não há fatos concretos que comprovem que Lima foi beneficiado no Credcesta, cartão de crédito consignado para funcionários públicos que era operado pelo governo da Bahia e foi privatizado em 2018. Após a privatização, um decreto do então governador, Rui Costa, alterou as regras do uso do cartão e possibilitou a ampliação do seu mercado.
Auxiliares de Lula afirmam que são políticos da direita, como o senador Ciro Nogueira (PP-BA), ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que possuem implicações graves no caso Master. Isso também será explorado pelo Planalto.

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