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Erika Hilton enfrenta resistência na presidência da Comissão da Mulher
A estreia de Erika Hilton na liderança da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara foi marcada por confrontos e tensões com parlamentares da oposição.
No início da reunião, a presidente informou que alguns requerimentos apresentados pelos membros da comissão não foram incluídos na pauta devido a “critérios técnicos”, o que gerou críticas e acusações entre os presentes.
Entre os pedidos rejeitados estava uma moção de repúdio contra falas feitas pela própria presidente da comissão, apoiada por deputadas contrárias à sua eleição na semana anterior.
A escolha de Hilton para presidir o colegiado causou controvérsia devido ao fato de ela ser uma mulher trans, com opositores argumentando que ela não teria experiência comum às mulheres cisgênero.
Outro requerimento excluído propunha uma moção em apoio ao apresentador Ratinho, que na última quarta-feira questionou a eleição de Hilton, afirmando que “para ser mulher é preciso ter útero e menstruar”.
Em resposta, Erika Hilton acionou o Ministério Público para investigar possível transfobia e violência política de gênero.
A presidente esclareceu que a exclusão dos requerimentos não estava relacionada ao conteúdo das propostas, mas sim a questões regimentais, sem análise do mérito. Mesmo assim, a decisão foi contestada em plenário.
A deputada Chris Tonietto (PL-RJ) criticou a decisão, dizendo que isso limita o direito dos membros da comissão e defendeu a inclusão dos requerimentos na pauta por tratarem de assuntos importantes.
Tonietto também reprovou uma publicação feita por Hilton após sua eleição, na qual ela respondeu às críticas afirmando que opositores “podem espernear e latir” e que a opinião de “transfóbicos e ignorantes” é a “última coisa que importa”.
Diante da pressão, Erika Hilton anunciou que solicitará uma nova avaliação técnica dos requerimentos para que, se considerados adequados, sejam incluídos na próxima reunião.
O clima tenso persistiu durante a sessão. A deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) defendeu a condução dos trabalhos e criticou a oposição por tentar bloquear a pauta.
— Acompanho essa comissão há bastante tempo, e algumas deputadas que nunca participaram agora aparecem repentinamente com urgência para pautar temas sobre a vida das mulheres — afirmou.
Melchionna finalizou pedindo que os conflitos fossem deixados de lado para que a comissão pudesse avançar nos projetos previstos.
— Por favor, deixe a comissão trabalhar. As mulheres brasileiras pedem por segurança e as crianças pelo direito de viver — declarou, referindo-se às propostas de medidas protetivas na pauta.
Em meio aos desentendimentos, a deputada Simone Marquetto (MDB-SP) sugeriu suspender a sessão, mas Hilton rejeitou, preferindo que a reunião continuasse com tranquilidade.
Apesar da tentativa de pacificação, as discussões continuaram e a reunião precisou ser suspensa por alguns minutos para que os membros pudessem estabelecer pautas consensuais e dar seguimento à sessão.

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