Economia
Ibovespa cai 0,43% após cenário negativo em Nova York
Em um dia marcado pela decisão sobre os juros nos EUA, onde a expectativa foi confirmada, o Ibovespa iniciou a sessão com ganhos pelo terceiro dia seguido, porém com menor intensidade, e acabou fechando em queda, acompanhando o desempenho negativo das bolsas em Nova York após a coletiva do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. As bolsas americanas sofreram fortes quedas após as 15h30, momento da entrevista.
Na quarta-feira (18), o Ibovespa oscilou entre a mínima de 179.575,91 e a máxima de 181.550,83 pontos (+0,63%), chegando ao pico pouco antes da decisão do Fed. A abertura foi em 180.408,53 pontos, e o fechamento ocorreu em 179.639,91 pontos, com queda de 0,43%. Na semana, o índice avançou 1,12%, porém ainda acumula perda mensal de 4,85%, e neste ano apresenta alta de 11,49%.
O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Fed manteve a taxa dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% ao ano, conforme comunicado emitido antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro, também na quarta-feira. A manutenção da taxa foi amplamente prevista pelos analistas, mas não unânime, pois o diretor Stephen Miran votou a favor de um corte de 0,25 ponto percentual. O Fed também manteve as taxas sobre compulsórios e de desconto inalteradas, em 3,65% e 3,75%, respectivamente.
No fechamento, as principais bolsas em Nova York registraram perdas significativas: Dow Jones caiu 1,63%, S&P 500 recuou 1,36% e Nasdaq apresentou baixa de 1,46%. O preço do barril de Brent subiu quase 4% em Londres, chegando a US$ 107, beneficiando ações da Petrobras, que fecharam com valorização de 1,77% (ON) e 1,34% (PN), ajudando a amenizar as perdas do índice brasileiro.
Entre as principais ações do Ibovespa, as ações ordinárias da Vale recuaram 2,32%. Os papéis dos maiores bancos, que estavam estáveis durante o dia, tiveram maior queda acompanhando o mercado externo, com Santander Unit caindo 1,50%, enquanto Itaú, Bradesco e Banco do Brasil fecharam com perdas superiores a 1%. No topo das maiores altas do dia, Eneva subiu 15,08%, Copel 5,56%, Prio 5,33% e MBRF 2,47%. No lado oposto, Hapvida caiu 4,76%, Yduqs 4,62%, CSN 4,42% e Azzas 3,18%.
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, explica que o foco central da reunião do Fed foi menos o movimento da taxa em si e mais a mensagem passada ao mercado. Ao manter a taxa estável pela segunda vez consecutiva e adotar discurso cauteloso, o Fed indicou que não há espaço para cortes mais agressivos, mesmo diante dos sinais iniciais de desaceleração econômica e enfraquecimento gradual do mercado de trabalho.
Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, destaca que as pressões inflacionárias vêm ganhando força, impulsionadas pela elevação do preço do petróleo, motivada pelo conflito no Oriente Médio. Ele ressalta também a ausência de consenso na decisão do Fed, que revela divergências internas importantes. O comunicado reforça incertezas ao mencionar que os desdobramentos no Oriente Médio ainda são imprevisíveis para a economia americana, e o comitê permanece vigilante em relação aos riscos ligados à inflação e ao emprego.
Na entrevista coletiva, o presidente do Fed afirmou que, caso não haja progresso satisfatório no controle da inflação, não haverá corte na taxa de juros. Ele reconheceu algum avanço, mas insuficiente para alcançar a meta desejada de preços. Powell indicou que um aumento nos juros ainda é possível e ressaltou que os eventos no Oriente Médio serão fundamentais nas decisões futuras do banco central americano.
Depois da fala do presidente do Fed, o mercado ajustou suas expectativas, agora prevendo que o ciclo de cortes nas taxas de juros pelo Fed deve ocorrer somente em dezembro, ao contrário da expectativa anterior para outubro.

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