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Venezuela troca ministro da Defesa ligado a Maduro
Delcy Rodríguez, presidente da Venezuela, removeu nesta quarta-feira (18) Vladimir Padrino do cargo de ministro da Defesa. Padrino comandou as Forças Armadas do país por mais de uma década, sendo considerado um aliado fiel de Nicolás Maduro.
Vladimir Padrino, de 62 anos, esteve ao lado de Maduro desde 2013, quando este assumiu o poder. Sua substituição acontece durante as celebrações da primeira vitória da Venezuela no Clássico Mundial de beisebol.
Delcy Rodríguez agradeceu a Padrino pela dedicação e lealdade ao país, destacando seu papel como principal defensor da nação. Pouco depois, Padrino também expressou gratidão pelo apoio recebido e reiterou ter sido uma honra servir à pátria como soldado e proteger a unidade nacional.
O novo ministro da Defesa nomeado é o general Gustavo González López, que anteriormente esteve à frente da guarda presidencial e da agência de contrainteligência DGCIM. Ele também já comandou o Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin).
A organização de direitos humanos Provea criticou a nomeação, afirmando que mudanças reais não ocorrerão enquanto antigos responsáveis pela repressão continuarem no poder. Além disso, Delcy Rodríguez designou novos ministros para as pastas de Energia Elétrica, Habitação, Transporte e Trabalho.
Vladimir Padrino era um dos poucos aliados próximos de Maduro ainda no governo interino. Outros membros importantes, como Tarek William Saab, saíram recentemente. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, permanece em seu posto. Os Estados Unidos oferecem recompensas pela captura de ambos.
Delcy Rodríguez assumiu o cargo de maneira interina após a queda de Maduro em uma ação militar dos EUA, que resultou na morte de cerca de cem pessoas, incluindo militares. O apoio dos militares ao governo é essencial, e Padrino jurou lealdade total à presidente interina, que afirmou confiança em sua capacidade para exercer suas novas funções.
Enquanto isso, Delcy Rodríguez enfrenta forte pressão dos Estados Unidos, que buscam exercer influência sobre o país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo. Ela tem promovido reformas na lei do setor petrolífero, concedido anistias históricas e realizado mudanças no gabinete e no comando militar regional.
A representante dos EUA na Venezuela, Laura Dogu, se reuniu com membros do parlamento, incluindo o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, para manter diálogo baseado em respeito e cooperação.
A Força Armada venezuelana é fortemente politizada desde a era do ex-presidente Hugo Chávez (1999–2013), adotando slogans como “Pátria, socialismo ou morte!” e “Chávez vive!”. A constituição de 1999 permitiu aos militares votarem e lhes garantiu grande influência no Estado.
Além do poder militar, os militares venezuelanos controlam setores estratégicos como mineração, petróleo, distribuição de alimentos e aduanas, além de exercerem controle sobre ministérios importantes. O país enfrenta diversas acusações de abusos e corrupção envolvendo as forças armadas.

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