Conecte Conosco

Economia

Lula alerta sobre nova tentativa de colonização por disputa de minerais

Publicado

em

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a reunião da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, realizada em Bogotá, para defender o controle das terras raras por países emergentes, como o Brasil.

Ele ressaltou que nações que anteriormente foram colonizadas, como o Brasil, conquistaram sua independência e não devem mais atuar apenas como exportadoras de matérias-primas.

— Nós já não somos países colonizados. Alcançamos nossa soberania com a independência. Não podemos permitir que qualquer nação interfira ou comprometa a integridade territorial alheia — declarou Lula em seu discurso, fazendo referência a países como Bolívia, Venezuela e Cuba.

Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos essenciais na fabricação de ímãs permanentes, baterias, turbinas eólicas, semicondutores, catalisadores e tecnologias militares, entre outros equipamentos eletrônicos. Embora não sejam necessariamente escassos na natureza, sua extração e processamento são complicados, custosos e impactam o meio ambiente.

— Quase esgotaram os recursos da Bolívia. Agora que o país possui minérios estratégicos, é uma oportunidade para a Bolívia, para a África e para toda a América Latina recusarem o papel de simples exportadores dessas matérias-primas. Quem desejar investir deve vir produzir diretamente aqui, possibilitando o desenvolvimento de nossas nações — reforçou o presidente.

As reservas brasileiras de terras raras têm um valor estimado equivalente a 186% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, quase o dobro da economia nacional, conforme cálculo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) considerando preços internacionais e dados de 2024.

Esse dado coloca o Brasil em destaque na crescente competição global por minerais estratégicos, vitais para setores como baterias, energia renovável, semicondutores e inteligência artificial.

Durante seu discurso na cúpula da Celac, Lula enfatizou a necessidade de resistência contra novas tentativas de colonização.

— Estão tentando nos colonizar novamente. Devemos erguer a cabeça e afirmar que ninguém tem o direito de dominar outros países — afirmou. Ele repetiu que, após o esgotamento dos recursos bolivianos, a situação atual representa uma chance para a América Latina e a África não serem meros fornecedores de matérias-primas, mas sim locais onde se produz e agrega valor.

Em fevereiro, os Estados Unidos convidaram o Brasil para integrar uma coalizão internacional voltada à mineração, refino e fornecimento de minerais críticos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, com a intenção de estabilizar preços e garantir oferta.

Embora o governo brasileiro ainda avalie técnica e politicamente essa proposta, a participação do Brasil nesse grupo ainda não está decidida.

Essa iniciativa ocorre em um cenário geopolítico mais amplo, em que os EUA buscam diminuir a dependência da China, que lidera globalmente a mineração e o refino desses recursos.

No Brasil, a postura oficial é cautelosa, salientando a rejeição ao papel exclusivo de fornecedor de matérias-primas brutas, defendendo que qualquer acordo deve promover investimentos para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional, com foco em beneficiamento, refino e incremento do valor agregado.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados