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Governo e Centrão agem para conter impacto eleitoral do caso Master
Enquanto o Palácio do Planalto avalia os potenciais impactos da possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, parlamentares e líderes dos partidos do Centrão trabalham em planos para amenizar a repercussão negativa.
Ainda que o foco principal esteja no Judiciário, há um clima de apreensão tanto no Congresso quanto no governo. No Legislativo, uma das estratégias é coletar informações que justifiquem a relação entre políticos com Vorcaro e o banco Master.
O Centrão planeja apresentar provas que demonstrem a ausência de conflito de interesses ou de recebimento de benefícios que sustentem uma suposta proteção política ao banqueiro.
Do lado governamental, existem indícios de ligações de Vorcaro com membros do PT da Bahia, incluindo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, além de serviços prestados ao banco pelos ex-ministros Guido Mantega e Ricardo Lewandowski. Já no Centrão, destaca-se a proximidade entre os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira (PI), e do União Brasil, Antonio Rueda.
Integrantes do Centrão aconselham evitar declarações públicas e responder somente diante de fatos concretos na delação, que pode se estender por meses.
A expectativa predominante é que a delação possa desencadear uma reorganização política, dependendo de quem for implicado e da profundidade das acusações, potencialmente afetando tanto composições regionais quanto negociações nacionais rumo às eleições deste ano.
Posição do governo
Assessores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionam a relevância de uma delação do banqueiro, argumentando que provas já foram coletadas pela Polícia Federal e são suficientes para a investigação.
O discurso governamental aponta que o caso Master envolve mais políticos da direita, e redes sociais alinhadas ao governo têm rotulado o escândalo como “Bolsomaster”.
A ligação do ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, com Jaques Wagner e Rui Costa é minimizada, destacando que não há evidências de benefício no cartão de crédito consignado Credcesta, que funcionava para servidores públicos sob gestão do governo baiano.
Após a privatização em 2018, um decreto do então governador Rui Costa alterou as regras para o cartão, expandindo seu mercado.
Recentemente, foi revelado que a nora de Wagner recebeu R$ 11 milhões do Master, via empresa BK Financeira. Em nota, o senador negou envolvimento em negociações ou intermediações. Além disso, Lula recebeu Vorcaro em dezembro de 2024 no Planalto, fora da agenda oficial, acompanhado por Guido Mantega, que fazia consultoria para o banco.
Na esfera do Centrão, um aliado do presidente do União Brasil avalia documentos que detalham o trabalho do advogado Antonio Rueda para o Master. Uma suposta reunião com Rueda foi mencionada em mensagem do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
O ex-prefeito ACM Neto (União-BA), que afirma ter prestado consultoria ao Master, também prepara provas de sua atuação. Conforme apuração, ele recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag, segundo relatório do Coaf. Por sua vez, Ciro Nogueira declarou que renunciará se seu envolvimento em fraudes no banco for confirmado.

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