Brasil
Julgamento de Jairinho e Monique pelo caso Henry Borel começa com júri majoritariamente feminino
Na manhã desta segunda-feira, teve início o julgamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro envolvendo a professora Monique Medeiros e o ex-vereador Jairinho (Jairo Souza Santos Júnior). Eles respondem pela morte do menino Henry Borel, filho de Monique e enteado de Jairinho. O júri é composto por seis mulheres e um homem.
Leniel Borel, engenheiro e vereador, pai de Henry, falou brevemente com a imprensa antes de entrar no tribunal. Vestindo uma camisa com uma foto sua e de Henry por baixo do paletó, foi recebido por Sônia Fátima Moura, mãe de Elisa Samudio, que expressou sua solidariedade a todas as vítimas de violência. Leniel declarou que deseja entender as circunstâncias da morte de seu filho no apartamento de Monique e Jairinho na madrugada de 8 de março de 2021.
“A condenação é o mínimo para esses dois monstros”, afirmou Leniel. “Este júri precisa esclarecer o que aconteceu naquele apartamento, onde três pessoas entraram vivas — dois adultos e uma criança — e, horas depois, dois adultos saíram vivos, mas a criança não.”
O advogado do Ministério Público, assistente da acusação, Cristiano Medina da Rocha, destacou que as provas são contundentes e que Jairinho torturou cruelmente o enteado, que tinha apenas 4 anos. Ele ainda afirmou que o crime só ocorreu porque Monique abandonou seu dever de proteger o filho em troca de uma vida confortável ao lado do então vereador, que teve o mandato cassado em 2021. Medina acredita na condenação de ambos.
Segundo ele, a defesa de Jairinho tem tentado adiar o julgamento com manobras protelatórias por medo do resultado. Em contrapartida, os advogados de defesa afirmam a inocência de Jairinho e solicitaram o adiamento alegando não terem tido acesso completo ao conteúdo do notebook de Leniel Borel.
O advogado Zanone Júnior, que representa Jairinho, declarou: “Ele está bem, é inocente e está triste. Passar cinco anos preso não traz felicidade a ninguém. Confiamos no povo do Rio de Janeiro e nos jurados, mas não é possível conduzir esse julgamento de forma apressada.”
Em frente ao tribunal, cerca de 15 pessoas protestaram pedindo justiça, unidas em oração e cumprimentando Leniel Borel na chegada. O casal Hilário Teixeira Barreto e Elaine Estrela Barreto, pais de Marcelo Estrela, morto em 2016, exibiram faixas com fotos do filho e de Henry, e afirmaram manter a esperança na justiça.
Henry Borel faleceu aos 4 anos em março de 2021. O ex-vereador Jairinho é acusado de homicídio qualificado, tortura e coação, enquanto Monique responde por homicídio por omissão qualificado, tortura e coação. As acusações incluem agravantes por terem ocorrido em ambiente familiar e por a vítima ser menor de 14 anos. Caso condenados, cada um pode receber pena superior a 50 anos de prisão.
Quem é Monique Medeiros
O laudo de necrópsia indicou que a criança sofreu hemorragia interna e laceração no fígado, além de equimoses, hematomas, edemas e contusões incompatíveis com um acidente doméstico, como uma queda. A defesa de Jairinho tenta impedir a apresentação deste laudo no julgamento, alegando que ele foi alterado após uma discussão entre peritos, sob anonimato. Contudo, Leniel, o Ministério Público e a Polícia Civil negam manipulação dos documentos.
Novo laudo e investigação
Em janeiro deste ano, a acusação apresentou um laudo em 3D que reconstrói o caso, concluindo que a morte de Henry foi causada por agressões físicas, afastando a hipótese de acidente. O documento foi elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit) com apoio técnico do Ministério Público, descrevendo lesões internas e externas incompatíveis com um acidente doméstico.
Durante a investigação, 18 testemunhas foram ouvidas, incluindo familiares, vizinhos e empregados da família. Monique e Jairinho permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, zona oeste do Rio de Janeiro.

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