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França se prepara para eleição presidencial de 2027
O término das eleições municipais marca o início da disputa para as eleições presidenciais de 2027 na França, com a extrema direita à espera de decisões judiciais, a esquerda dividida e a centro-direita procurando seu candidato para suceder o presidente Emmanuel Macron.
Macron, de centro-direita, está impedido de concorrer a um terceiro mandato, e os partidos começaram a traçar suas estratégias para tentar chegar à presidência no próximo ano.
Uma pesquisa recente do Toluna Harris Interactive divulgada no domingo indica que Jordan Bardella, líder do partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN), lideraria o primeiro turno com uma intenção de voto entre 35% e 36%.
“Não quero minimizar o risco de vitória do RN (…), mas nada é certo ou garantido neste momento”, afirmou à AFP Blanche Leridon, analista do Instituto Montaigne.
A eleição de Macron em 2017 alterou o tradicional bipartidarismo francês, antes marcado pela disputa entre uma esquerda moderada e uma direita tradicional. A ascensão da extrema direita comandada por Marine Le Pen e da esquerda radical liderada por Jean-Luc Mélenchon transformou o cenário político.
Desde a antecipação inesperada das eleições legislativas de 2024, o cenário político francês está dividido em três grupos principais: esquerda moderada e radical; centro-direita e direita tradicional; e extrema direita.
Os partidos estão definindo suas estratégias para 2027 considerando essa nova configuração.
Extrema direita em suspenso
A extrema direita aguarda o julgamento marcado para 7 de julho, quando será decidido se Marine Le Pen será inelegível por cinco anos devido a condenação por desvio de recursos públicos europeus, o que a impediria de concorrer à presidência.
Entretanto, o partido já tem um plano alternativo: Jordan Bardella, que conquistou sucesso nas eleições para o Parlamento Europeu de 2024 na França e celebrou o avanço expressivo do RN nas eleições municipais.
“Essas conquistas representam apenas o início”, declarou o líder de 30 anos.
Apesar disso, especialistas consultados pela AFP apontam que o RN tem dominância principalmente em cidades pequenas e médias, como Carcassonne, mas não conseguiu conquistar grandes cidades, exceto Perpignan, que controla desde 2020.
“Existe um limite claro para o RN nas grandes cidades”, destacou Leridon.
Centro-direita em busca de candidato
O RN não conseguiu formar uma coalizão com o partido conservador Os Republicanos (LR), após seu então líder, Éric Ciotti, ter se aliado à Le Pen em 2024, fazendo com que deixasse o partido. Ciotti é atualmente prefeito de Nice.
Desde 2022, quando Macron perdeu a maioria no parlamento, o LR tem atuado como apoio parlamentar e chegou a participar do governo por um ano, até outubro de 2025.
Embora Bruno Retailleau, líder do LR, busque estabelecer diálogo entre a esquerda e o RN para 2027, há correntes dentro do partido que defendem a realização de primárias amplas, incluindo o partido Reconquista (extrema direita), para escolher um candidato único.
O grande vencedor do bloco de centro-direita nas municipais foi Édouard Philippe, aliado de Macron. Ele condicionava suas ambições presidenciais à sua reeleição como prefeito de Le Havre, o que foi alcançado.
“Na direita, Philippe pode se destacar como candidato único e até obter a vitória”, afirmou Éric Maurice, do think-tank European Policy Centre. Na pesquisa divulgada no domingo, Philippe aparece atrás de Bardella, com 18% das intenções de voto.
Esquerda fragmentada
As eleições municipais também evidenciaram a divisão da esquerda, especialmente pela disputa entre os socialistas e o grupo A França Insubmissa (LFI), de esquerda radical, pela liderança e candidatura única em 2027.
Apesar do sucesso eleitoral de 2024, quando formaram uma frente unida com ambientalistas e comunistas, nas municipais competiram separadamente e na maior parte das cidades em que uniram forças, como Toulouse e Limoges, foram derrotados.
“A esquerda atuou contra seus próprios interesses nesta campanha”, disse a líder ecologista Marine Tondelier, cujo partido perdeu várias cidades conquistadas em 2020 durante a ‘onda verde’, embora tenha mantido Lyon.
Tanto Tondelier quanto o líder socialista Olivier Faure defendem uma união da esquerda em 2027, mas alguns membros do partido destacam as vitórias em Paris e Marselha, obtidas sem aliança com a LFI.
No LFI, ninguém duvida que Mélenchon será candidato novamente após terminar em terceiro em 2022, mas suas frequentes controvérsias prejudicaram sua imagem.
“Se a esquerda se manter fragmentada no primeiro turno, terá dificuldades para chegar ao segundo turno no próximo ano. Mas quem será o candidato? Se for Mélenchon, terão poucas chances de vitória”, avalia Maurice.

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