Economia
Banco Central reduz juros da Selic para 14,75%
Banco Central divulgou a ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na qual decidiu baixar a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, indicando que os próximos movimentos na política de juros ainda estão indefinidos diante do cenário atual de alta incerteza e riscos ampliados para a inflação.
O documento explica que o começo do ciclo de cortes foi considerado oportuno após um período prolongado de juros elevados começar a influenciar a economia, mas destaca que o ambiente, especialmente após o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, tornou mais complexo identificar tendências claras para a inflação e para a atividade econômica.
O Copom informa que a situação externa se deteriorou devido ao aumento das tensões geopolíticas, que elevaram a volatilidade dos mercados e os preços das commodities, demandando maior cautela dos países emergentes. Além disso, novas dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos intensificaram o ambiente global desfavorável.
No Brasil, a atividade econômica permanece em ritmo de desaceleração, com um arrefecimento mais acentuado previsto para o final de 2025, especialmente nos setores mais impactados pelas condições financeiras, resultado dos efeitos retardados da política monetária restritiva, que é parte do processo necessário para controlar a inflação.
Apesar disso, o mercado de trabalho segue forte, com desemprego em níveis historicamente baixos e crescimento dos salários acima da produtividade, o que pode pressionar os preços, especialmente no setor de serviços.
A ata revela que a inflação tem mostrado ligeira redução recente, tanto no índice geral quanto nas medidas subjacentes, porém ainda permanece acima da meta. As expectativas inflacionárias para os próximos anos continuam fora da meta, projetando 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027, conforme a pesquisa Focus.
Segundo as estimativas do próprio Banco Central, a inflação deve registrar 3,9% em 2026 e 3,3% no terceiro trimestre de 2027, um horizonte relevante para a política monetária, mantendo-se acima do centro da meta de 3%.
O Copom ressalta que, em um contexto de expectativas desancoradas, o custo para trazer a inflação de volta à meta tende a ser mais elevado, exigindo uma política monetária mais restritiva por um período prolongado.
O risco para a inflação, já considerado elevado, aumentou após o início dos conflitos no Oriente Médio. Entre os fatores que podem pressionar a alta estão a possibilidade de expectativas desancoradas por mais tempo, a persistência da inflação nos serviços e os impactos cambiais. Por outro lado, há riscos de queda na inflação, como uma desaceleração econômica mais forte, uma contração global mais intensa e a diminuição dos preços das commodities.
O documento também chama atenção para o cenário fiscal, mencionando que dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública, o aumento do crédito direcionado e possíveis retrocessos em reformas estruturais podem elevar a taxa de juros neutra da economia, reduzindo a eficácia da política monetária e encarecendo o processo de desinflação.
Diante desses fatores, o Copom avaliou que a redução de 0,25 ponto percentual foi a decisão mais adequada neste momento, reafirmando o compromisso com a convergência da inflação à meta.
A ata deixa claro que não há projeção antecipada sobre o ritmo dos próximos ajustes. A intensidade e a duração do ciclo de ajuste dos juros serão definidas gradualmente, conforme novas informações forem avaliadas, em um cenário que ainda apresenta sinais contraditórios e elevada incerteza.
“Na última reunião, o Comitê considerou apropriado indicar o início de um ciclo de ajuste da taxa básica de juros, com base nas evidências dos impactos da política monetária sobre a atividade econômica e a inflação. Além disso, reforçou que essa calibração manteria uma postura restritiva para garantir a convergência da inflação à meta. Após analisar que eventos recentes não impediriam esse ajuste, o Comitê discutiu a velocidade de início do ciclo e concluiu que uma redução de 0,25% era a mais indicada. Com o compromisso fundamental de assegurar a inflação dentro da meta no horizonte relevante, a magnitude e a duração desse ciclo serão definidas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às análises”, afirma um trecho da ata.
A decisão de baixar a Selic foi tomada por unanimidade entre os membros do comitê.


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