Economia
Ibovespa fecha em alta impulsionado por sinais de paz no Oriente Médio
O Ibovespa continuou sua recuperação pelo terceiro dia consecutivo, encerrando a sessão desta quarta-feira (25) no maior patamar desde o início de março, próximo a 185 mil pontos. Esse desempenho positivo foi sustentado por uma redução na tensão em torno do conflito no Oriente Médio, alimentada pela expectativa crescente de um possível acordo de cessar-fogo, apesar dos sinais ainda inconsistentes.
Durante o dia, o índice variou entre 182.524,09 e 186.401,24 pontos, fechando com alta de 1,60%, aos 185.424,28 pontos, com volume negociado de R$ 27,9 bilhões. Nos últimos três pregões, o Ibovespa acumulou valorização de 5,22%, aliviando parte das perdas do mês, que somam 1,78%, período marcado pelo início da guerra em 28 de fevereiro. No acumulado do ano, a alta chega a 15,08%.
Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, determinou que todos os esforços sejam concentrados nas próximas 48 horas para desmantelar o máximo possível da indústria armamentista iraniana, conforme fontes próximas à situação.
Com o aumento das possibilidades de negociação entre Estados Unidos e Irã, o exército israelense demonstra preocupação com uma possível interrupção da guerra. Essa decisão veio após Netanyahu receber, na terça-feira, uma proposta de cessar-fogo enviada a Teerã pelo governo Trump.
Nos Estados Unidos, a maioria da população acredita que a recente ação militar contra o Irã foi exagerada e preocupa-se com o impacto no preço da gasolina. Uma pesquisa do Associated Press-NORC evidencia que 59% dos americanos consideram as ações militares excessivas, e 45% estão muito preocupados com os custos futuros de combustíveis. Com as eleições de meio de mandato se aproximando, é crucial para Trump que os republicanos mantenham a maioria no Congresso.
O cenário de recuperação do Ibovespa nesta quarta foi refletido no desempenho positivo das ações das principais empresas listadas, incluindo Petrobras, que fechou com alta moderada, mesmo após ajustes negativos nos preços do petróleo causados por sinais de descompressão no Oriente Médio. A Vale também registrou valorização significativa.
O dólar comercial caiu para cerca de R$ 5,22, recuando 0,67% na sessão. Os rendimentos dos títulos americanos e a curva do DI também caíram. Nos Estados Unidos, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq avançaram. O preço do petróleo WTI para maio teve queda de 2,19%, fechando a US$ 90,32 por barril, enquanto o Brent para junho caiu 2,96%, para US$ 97,26 por barril.
Ainda que a aversão ao risco tenha diminuído, o clima de instabilidade persiste, especialmente por declarações ameaçadoras de autoridades iranianas. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou para possíveis movimentos hostis contra uma ilha iraniana, prometendo resposta militar ampla caso isso ocorra.
No mercado financeiro brasileiro, o setor bancário mostrou sinais de recuperação, com ganhos expressivos em algumas ações, apesar das perdas acumuladas no mês. Entre as maiores altas do Ibovespa na quarta, destacaram-se MRV, Brava e Hapvida, enquanto Azzas, IRB e CSN Mineração ficaram entre os papéis em queda.
Bruna Medeiros, sócia da Manchester Investimentos, observa que a perspectiva de um cessar-fogo levou à redução dos preços do petróleo para valores inferiores a US$ 100 o barril, influenciando também a queda dos juros americanos. Ela ressalta que o setor nacional está reagindo positivamente, mas lembra que o cenário pode mudar caso o Irã rejeite negociações para uma trégua.
Alison Correia, analista e cofundador da Dom Investimentos, comenta que o mercado está animado com a possibilidade de pacificação. Ele destaca que Trump tem grande interesse em encerrar o conflito rapidamente, pois o cenário atual é oneroso para sua administração e a continuidade da interferência iraniana no Estreito de Ormuz representaria uma derrota significativa para o presidente americano.


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