Economia
Inflação alta até 2028, apesar da guerra e economia forte
Em meio aos impactos da guerra e à desaceleração gradual da economia, o Banco Central revisou suas expectativas e não antecipa mais que a inflação volte para a meta de 3,0% até o início de 2028. Conforme a atualização das projeções oficiais divulgada no Relatório de Política Monetária (RPM) desta quinta-feira, a inflação permanecerá acima da meta pelo menos até o terceiro trimestre de 2028, último período analisado. No relatório anterior, divulgado em dezembro, a expectativa era que a inflação atingisse 3,0% no primeiro trimestre de 2028.
A meta definida é de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. As projeções do Banco Central consideram as expectativas para a Taxa Selic divulgadas no Boletim Focus na semana anterior à decisão do Copom. Para o cálculo, a taxa Selic foi estimada em 12,25% ao final de 2026.
“Nas projeções do cenário considerado como referência, a inflação tende a subir até o final de 2026, retornando a uma trajetória de queda posteriormente, mas ainda permanecerá acima da meta”, aponta o RPM.
O Comitê de Política Monetária (Copom) ajusta a taxa Selic visando levar a inflação até a meta dentro de um período chamado horizonte relevante, que geralmente corresponde a cerca de 18 meses à frente, considerando o tempo necessário para que as medidas monetárias tenham efeito ao longo da economia.
Em março, o horizonte relevante era o terceiro trimestre de 2027, quando a inflação estimada aumentou de 3,2% em dezembro para 3,3%. Para a próxima reunião do Copom em abril, o horizonte passa a ser o final de 2024, com a projeção subindo de 3,1% para 3,3%.
No relatório, o Banco Central destaca que o aumento das projeções inflacionárias se deve principalmente à alta dos preços do petróleo, efeito decorrente da guerra no Oriente Médio, e à revisão do hiato do produto, que indica maior aquecimento da economia. O hiato para o quarto trimestre de 2025 foi ajustado de 0,2% para 0,4%, evidenciando esse aumento do ritmo econômico.
“Em relação ao relatório anterior, as projeções para a inflação foram elevadas. No horizonte relevante para a política monetária, considerado o terceiro trimestre de 2027, a previsão subiu 0,1 ponto percentual. Entre os fatores que impulsionaram essa alta estão a elevação do preço do petróleo e a revisão do hiato econômico”, explicou o Banco Central, acrescentando que a desvalorização do dólar e a ligeira redução das expectativas de inflação atuaram para amortecer o aumento nas projeções.
As projeções de inflação são fundamentais para orientar os próximos passos da política monetária, que iniciou recentemente um ciclo de redução dos juros. Na última decisão, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75%. Contudo, devido às incertezas geradas pelo conflito e suas repercussões no preço do petróleo e na logística mundial, o colegiado mantém as decisões futuras em aberto quanto à magnitude e duração das quedas na taxa básica de juros.
“Neste cenário atual, marcado por alta incerteza, o Comitê reafirma sua postura de cautela e serenidade na condução da política monetária, para que as decisões futuras possam incorporar informações que tragam clareza quanto à profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos diretos e indiretos sobre os preços ao longo do tempo”, declarou o Copom após a reunião recente.
De acordo com as projeções divulgadas, a expectativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é a seguinte:
- 3,9% no final de 2026;
- 3,3% no final de 2027;
- 3,1% no terceiro trimestre de 2028.
Quanto à probabilidade de a inflação ultrapassar a meta, o Banco Central atualizou suas estimativas. Segundo a regra da meta contínua, o limite é ultrapassado quando a inflação permanece fora da faixa de tolerância durante seis meses consecutivos. Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses está em 3,81%.
A probabilidade de extrapolação da meta em 2026 subiu de 23% para 30%. Para 2027, essa chance aumentou de 16% para 19%. Essas revisões refletem a maior pressão inflacionária antecipada para o período.


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