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Economia

Guerra pode exigir reação ‘preventiva’ de BCs de economias avançadas, diz Banco Central

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O Banco Central considera que o conflito no Oriente Médio dificulta a política monetária nas economias desenvolvidas. “O aumento das expectativas de inflação, dos prêmios de risco e da inclinação na curva de juros pode indicar a necessidade de uma reação antecipada”, destaca o Relatório de Política Monetária (RPM) do primeiro trimestre, no trecho dedicado ao cenário externo.

“O conflito no Oriente Médio adiciona incertezas ao cenário futuro de inflação e crescimento. Caso o conflito se prolongue, o fluxo de matérias-primas pelo Estreito de Ormuz será afetado, elevando os preços”, explica a autoridade monetária no relatório divulgado em 26 de abril. “O recente aumento nos preços de energia já elevou as expectativas de inflação, mas o impacto desses preços para o consumidor será diferente conforme o sistema de definição de preços de cada país.”

O BC destaca que a intensidade e a distribuição dos aumentos na inflação dependerão da duração do conflito e da eficácia das medidas para mitigá-los, além do impacto persistente no fornecimento de energia e possíveis reorganizações defensivas nas cadeias produtivas.

A instituição salienta que, se o choque nos preços de energia continuar, a análise de como esses aumentos impactam a inflação e o crescimento econômico será fundamental para ajustar as políticas fiscal e monetária nos próximos meses.

Although episódios de tensões geopolíticas são frequentes, o novo conflito no Oriente Médio causou “volatilidade, incerteza e aversão ao risco nos mercados”, ressaltando que os preços do petróleo, gás e outros commodities elevaram-se e permaneceram instáveis desde o início do conflito.

“Se o trânsito no Estreito de Ormuz continuar bloqueado por muito tempo, ou se o conflito se expandir regionalmente, o efeito sobre preços e economia poderá ser sério e duradouro”, afirma o BC, ressaltando que as perspectivas macroeconômicas serão impactadas tanto pelo choque direto na oferta quanto pela maior incerteza, dificultando a resposta dos bancos centrais.

O impacto desse aumento nos preços será desigual, afetando mais negativamente as economias asiáticas, que dependem mais da energia do Golfo Pérsico. Historicamente, mudanças nos preços de commodities energéticas influenciam outros bens e elevam as expectativas inflacionárias.

O Banco Central lembra que o ciclo de flexibilização monetária está encerrado ou previsto para acabar em 2026 na maioria das economias desenvolvidas, e observa que algumas já esperam aumentos na taxa de juros ainda este ano. “O conflito torna a política monetária mais complexa, pois é necessário monitorar os efeitos secundários do choque na oferta e evitar subestimar aumentos persistentes nos preços.”

Aumento de riscos diversos

O Banco Central aponta que os riscos para economias emergentes aumentaram em razão de dúvidas sobre a política comercial dos Estados Unidos e do conflito no Oriente Médio, detalhado no relatório trimestral.

Após decisões da Suprema Corte dos EUA envolvendo tarifas comerciais e a reação do governo americano, a incerteza permanece elevada, afetando negativamente a atividade econômica, a confiança e o investimento.

As tensões geopolíticas no Oriente Médio e seus efeitos nos preços, produção e logística de commodities renovaram os riscos de alta na inflação e pioraram as perspectivas para as economias emergentes. Outros fatores de risco são dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal, desempenho da economia chinesa e o conflito entre Rússia e Ucrânia.

Quanto ao impacto no mercado financeiro das emergentes, o BC observa um aperto em indicadores financeiros após o início do conflito, porém ainda distante dos níveis de crises anteriores. As moedas dessas economias, em geral, reverteram ganhos dos primeiros meses e terminaram o trimestre desvalorizadas, exceto em alguns países como Argentina, Brasil, Colômbia e México, reflexo da dependência das importações de energia do Oriente Médio.

Probabilidade de inflação acima da meta cresce

No mesmo relatório, o Banco Central revisou para cima a probabilidade de a inflação superar o teto da meta (4,5%) para 30% em 2026, contra 23% anterior. A chance de o índice ficar abaixo do piso (1,5%) caiu de 7% para 2%.

A partir de 2025, a meta de inflação passa a ser contínua, com base no IPCA acumulado em 12 meses. Caso o índice ultrapasse o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que o BC falhou no objetivo. O centro da meta é 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

O descumprimento da meta ocorreu pela primeira vez em julho do ano anterior, quando o IBGE registrou alta de 5,35% no IPCA em 12 meses, acima do teto da meta pelo sexto mês consecutivo.

Para 2027, a chance de inflação ultrapassar o teto subiu de 16% para 19%, e a probabilidade de ficar abaixo do piso caiu de 12% para 10%. Pela primeira vez o BC divulgou estimativas para 2028: 17% de chance de superar o teto e 11% de ficar abaixo do piso.

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