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Ceilândia 55 anos: histórias de quem faz a cidade

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Na Feira Central da Ceilândia, um local muito tradicional na região, moradores e trabalhadores contam como a cidade virou um símbolo de cultura e resistência no Distrito Federal. Tudo começou em 27 de março de 1971, com a mudança de cerca de 82 mil pessoas de áreas irregulares, por meio da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), que deu nome à cidade. Agora, 55 anos depois, a Ceilândia comemora seu aniversário com um comércio ativo, muita cultura local e um povo batalhador.

A Feira Central, que virou ponto turístico em 1972, é importante para a história local. Existem outras feiras importantes para os moradores, como a do Produtor e do Atacadista da Ceilândia, além das feiras permanentes da Guariroba, do P Sul, Setor O, P Norte e a Livre de Guarapari.

Francisco Pinho, conhecido como Chiquinho e apelidado de “Rei do Mocotó”, começa a trabalhar na feira com o pai em 1980. Anos depois, assumiu a loja da família, que vende comidas típicas do Nordeste e atrai muitos clientes. Ele é fã de rock, que é a música do local, e também gosta dos estilos hip-hop e funk, que são símbolos culturais da região.

Chiquinho explica que nasceu e cresceu em Ceilândia, onde construiu sua vida e família. Ele sente um forte laço com a cidade, que considera o coração do Distrito Federal e lar de muitas pessoas trabalhadoras.

Orgulho de ser Ceilândia

Elizabeth de Queiroz, de 74 anos, chegou em Brasília em 1971 e começou a morar na Ceilândia em 1978, onde permanece até hoje. Sua casa fica perto da Caixa d’Água, um marco da região. Ela lembra que sua rua foi uma das primeiras a ser asfaltada. A Caixa d’Água, projetada pelo arquiteto Gerhard Leo Linzmeyer, foi inaugurada em 1970, local da pedra fundamental de Ceilândia lançada pelo governador Hélio Prates.

Elizabeth conta que a feira deu a ela a independência para criar seus cinco filhos, que hoje estão formados e têm uma vida estável. Ela ama Ceilândia, lugar onde construiu sua história e família.

Um lugar acolhedor

De acordo com a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (PDAD-A) de 2024, Ceilândia tem cerca de 287.113 habitantes, dos quais 59,3% nasceram na cidade e 40,3% vieram de outras regiões do Brasil. A maior parte dos moradores vindos de fora são do Nordeste, especialmente do Piauí com 7,1%.

Naira Regina Silva, de 23 anos, veio para Brasília em 2022 com dois filhos e conseguiu emprego numa banca da Feira Central. Com seu terceiro filho nascido no Hospital Regional da Ceilândia, ela diz que a cidade é um bom lugar para quem quer trabalhar e recomeçar com dignidade.

Terra de resistência

Marlene Nascimento, de 71 anos, lembra que mudaram-se para Ceilândia em 1978 para ter casa própria, enfrentando dificuldades com infraestrutura e preconceitos da época. Apesar do início difícil, ela lutou por melhorias na cidade, quebrando até o asfalto para forçar mudanças. Seus filhos, Flávia e Sérgio, seguiram seu exemplo e hoje trabalham em causas sociais.

Ceilândia além dos estigmas

Flávia Nascimento, produtora cultural, conta que o grupo Atitude foi criado em 1988 para valorizar a cidade e mudar a visão negativa sobre ela. A cidade sofreu preconceitos, especialmente na década de 90, quando o simples prefixo telefônico já indicava se a pessoa era de Ceilândia, dificultando o acesso ao emprego.

O coletivo promove ações culturais para fortalecer a identidade local e mostrar a força da cultura da região, que inclui hip-hop, samba, rock e reggae, além de ações sociais.

Empreendedorismo negro e coragem

Nair Ambrósio, trancista e empreendedora nascida em Ceilândia, vê o empreendedorismo como ato de resistência. Cresceu ouvindo histórias das dificuldades enfrentadas por gerações anteriores, como falta de água e saneamento, e enfrentou preconceitos em seu caminho para consolidar o próprio negócio.

Nair valoriza a diversidade cultural da cidade e participa de projetos que unem salão afro e hip-hop para combater o bullying e fortalecer a autoestima das crianças negras, valorizando a identidade local.

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