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UFPE revela impactos do regime militar no campus

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Em 31 de março, data que lembra o golpe militar que instalou um governo autoritário no Brasil, a Comissão da Verdade, Memória e Reparação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) vai divulgar os primeiros resultados do estudo iniciado em junho de 2025. A comissão analisou documentos para mapear as ações do regime militar no ambiente universitário.

O encontro ocorrerá às 9h, no Auditório João Alfredo, na reitoria da UFPE. Conforme a pesquisa, ao menos 649 docentes, alunos e funcionários da universidade foram vítimas de abusos durante o período da Ditadura Militar, enfrentando desde solicitações de informações até suspensão de bolsas, afastamento de cursos e demissões.

Além disso, 132 pessoas foram presas ou detidas e pelo menos seis estudantes perderam a vida devido à repressão. Na ocasião, além de apresentar esses dados parciais, o evento “A UFPE e o compromisso com as memórias” também anunciará as próximas fases da investigação.

Participarão da mesa de abertura o reitor Alfredo Gomes, o vice-reitor Moacyr Araújo, o presidente da Comissão da Verdade, professor Bruno Kawai (Departamento de História), a professora Socorro Ferraz (representante da Comissão Estadual da Verdade) e a professora Márcia Ângela da Silva Aguiar (presidente da Fundação Joaquim Nabuco).

Também estarão presentes o escritor Sidney Rocha (diretor do Arquivo Público do Estado de Pernambuco) e a ativista Amparo Araújo (representante da Comissão Nacional de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos).

O público contará ainda com familiares, representantes e os próprios professores, estudantes ou técnicos que sofreram violências políticas no período investigado. Entre eles, o advogado Marcelo Santa Cruz, que foi expulso do curso de Direito da UFPE e atualmente integra a Comissão.

No evento, a professora Ana Paula Brito, do Departamento de Antropologia, fará a palestra “Universidade, Memória e Reparação”, discutindo o valor do direito à memória.

Durante a cerimônia, haverá exposições organizadas pelo Núcleo de Documentação sobre os Movimentos Sociais Dênis Bernardes (Nudoc) da UFPE: “Lutas de Classes sob a ditadura de 1964-1985” e “Tecendo memórias e lutas”, que homenageiam a memória de Soledad Barret e Padre Henrique, vítimas do regime.

A apresentação está sob a coordenação da professora Soraia de Carvalho, do Departamento de Serviço Social, e do professor José Marcelo Ferreira Filho, do Departamento de História.

Será lançado também um conjunto de vídeos de curta duração que resgatam a história dos estudantes da UFPE mortos pela repressão durante a Ditadura. Os vídeos começarão a ser exibidos no dia da cerimônia, às 18h, na TVU.

O material audiovisual foi criado por alunos da disciplina eletiva “Jornalismo, Memória e Verdade”, com apoio do Laboratório de Imagem e Som (LIS) do Departamento de Comunicação Social.

Alunos de jornalismo também produziram 18 trabalhos escritos, entre reportagens e entrevistas, que estarão disponíveis no site da Comissão. As professoras Paula Reis e Yvana Fechine, que fazem parte da comissão e orientaram os trabalhos, discutirão as experiências pedagógicas relacionadas à produção desses materiais.

O levantamento dos dados tem contado com a colaboração de estudantes voluntários e bolsistas, acompanhados pela técnica-administrativa Roberta Lira, responsável pela sistematização dos dados sob a supervisão dos professores da Comissão estadual e especialistas no tema.

Atualmente, a sistematização também ocorre na disciplina “Prática de pesquisa histórica”, ministrada pelo professor José Marcelo Ferreira Filho.

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