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BC liquida Entrepay suspeita de esquema com fundos do Master

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A Entrepay, que foi liquidada pelo Banco Central nesta sexta-feira, está sob suspeita de atuar como intermediária em um esquema envolvendo fundos ligados ao Banco Master e ao seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, que está preso, conforme apurações da autoridade monetária. Essa liquidação pode trazer consequências negativas para bandeiras de cartão e fintechs menores que mantinham relações comerciais com a Entrepay.

Fontes próximas ao caso revelam que Vorcaro tinha influência direta sobre a entidade liquidada. O CEO da Entrepay, Antônio Freixo, conhecido como “Mineiro”, foi investigado na Operação Compliance 2, que apura fraudes vinculadas aos fundos do Master. A defesa de Vorcaro não se pronunciou, e o grupo Entre afirmou que estava em processo de encerramento das operações das empresas liquidadas.

A empresa de pagamentos operava no credenciamento de métodos de pagamento, intermediando bancos e bandeiras de cartão com lojistas, mas desviava recursos evitando repassá-los corretamente, segundo interlocutores. Ou seja, recebia pagamentos dos emissores e não efetuava repasses aos subcredenciadores e estabelecimentos.

Parte dos recursos desviados era investida na compra de cotas de fundos geridos pela Reag, que apresentavam forte valorização inflada e retiradas subsequentes. Um desses fundos, o Hans 2 Fundo de Investimento Part. Multiestratégia, viu suas cotas adquiridas por Vorcaro no final de 2023 se valorizarem em cerca de R$ 290 milhões em um único dia.

Esse método é similar ao utilizado nos empréstimos do Master para empresas que aparentavam não ter ligação com o banco, mas que depois direcionavam dinheiro para fundos da Reag.

Como as cotas do Hans 2 faziam parte do patrimônio da Entrepay, que se tornaram sem valor, a instituição entrou em insolvência, levando à liquidação extrajudicial pelo BC. O regulador afirmou ainda que a empresa infringiu normas regulatórias.

O Banco Central declarou: “A liquidação extrajudicial foi motivada pela piora da situação financeira da instituição líder do conglomerado, infrações às normas vigentes e prejuízos que põem em risco seus credores”.

O não pagamento da Entrepay a subcredenciadores e lojistas pode causar prejuízos às bandeiras de cartão, que são responsáveis pelo sistema de pagamento segundo as regras do BC, como ocorrido no caso Will Pay, com impacto superior a R$ 5 bilhões. Porém, o BC ainda está avaliando as consequências jurídicas neste caso.

Outras fintechs e pequenos bancos digitais que negociavam com a Entrepay através de modalidade de crédito conhecida como “fumaça” — onde a garantia são expectativas de vendas futuras do estabelecimento — também podem ser afetados, embora o impacto previsto seja pequeno.

Além da Entrepay, foram liquidadas a Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e a Octa Sociedade de Crédito Direto S.A., que fazem parte do mesmo conglomerado. De porte pequeno, este grupo representava apenas 0,009% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional em dezembro de 2025 e não trabalhava com instrumentos protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O Grupo Entre informou que estava conduzindo uma descontinuação ordenada das operações dessas empresas, dentro de uma revisão estratégica de seu portfólio.

Em comunicado, o grupo afirmou: “Estamos realizando a transição planejada das atividades, cumprindo compromissos assumidos e preservando a continuidade operacional neste período”.

O grupo reforçou seu compromisso de colaborar integralmente com as autoridades competentes, disponibilizando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os passos da liquidação pelos canais institucionais adequados, visando a minimizar impactos a clientes, parceiros e demais partes interessadas. Os demais negócios do grupo continuarão suas operações normalmente.

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