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Irã alerta civis para evitarem tropas americanas
O Irã pediu nesta sexta-feira (27) que civis mantenham distância das forças americanas presentes no Oriente Médio. O pedido é um novo sinal de resistência, após o presidente Donald Trump afirmar que as negociações para encerrar a guerra avançam positivamente.
Nos últimos dias, Trump tem alternado entre ameaças de ataques e declarações otimistas sobre o término iminente do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques conjuntos contra alvos iranianos.
O presidente americano adiou seu ultimato para ataque às usinas de energia do Irã até segunda-feira, às 20h, horário de Washington, segundo ele, atendendo a um pedido do governo iraniano.
Oficialmente, Teerã nega estar envolvido em negociações, mas enviou uma resposta pelo Paquistão, mediador do processo, ao plano americano com 15 pontos, conforme fonte anônima citada pela agência Tasnim na quinta-feira.
Apesar do diálogo indireto, a tensão e os confrontos continuam.
No site da Guarda Revolucionária do Irã, o exército ideológico do país classificou as forças americanas e israelenses de “covardes”, acusando-as de usar civis e áreas inocentes como escudo.
“Recomendamos que as pessoas deixem imediatamente os locais onde tropas americanas estão estacionadas para sua própria segurança”, alertou o grupo.
A Guarda Revolucionária também forçou três navios a recuarem no Estreito de Ormuz, rota estratégica para comércio global de energia, declarando bloqueadas as vias para embarcações ligadas a potências inimigas.
O Exército iraniano advertiu que hotéis que hospedem soldados americanos podem se tornar alvos militares. O porta-voz Abolfazl Shekarchi afirmou que, ao se instalar em um hotel, os militares americanos o tornam um alvo legítimo.
As forças iranianas ameaçam continuar com ataques a Israel e bases americanas em países do Golfo, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Bahrein.
O Soufan Center, baseado em Nova York, alerta que os EUA correm riscos de erros de análise ao lidar com o regime conservador iraniano. O assassinato de líderes têm fortalecido os radicais, colocando a Guarda Revolucionária no controle da situação.
A crise é tema central na reunião do G7 em Paris, onde o secretário de Estado americano Marco Rubio provavelmente solicitará cooperação internacional para reabrir o Estreito de Ormuz, embora alguns aliados, como o ministro da Defesa alemão Boris Pistorius, critiquem a falta de clareza da estratégia americana.
O conflito completa um mês no sábado, com repercussões econômicas globais no fornecimento de petróleo e gás.
Enquanto Washington parece buscar solução diplomática, Israel intensifica ataques contra o oeste do Irã, visando instalações de produção de armas, especialmente mísseis balísticos.
A população de Teerã sofre com os bombardeios, o medo e a falta de renda, situação relatada por Golnar, dona de uma loja online, e Kaveh, artista de 38 anos, que observa o controle crescente das forças de segurança nas ruas.
A intensidade dos ataques danificou 120 museus e prédios históricos, segundo o Ministério do Patrimônio Cultural iraniano.
No sul de Beirute, no Líbano, explosões foram ouvidas em área ligada ao Hezbollah, grupo pró-Irã, depois que o país foi envolvido no conflito a partir de 2 de março, em retaliação a mortes e ataques no Iraque e Irã.
Os combates provocaram mais de 1.100 mortos e deslocaram mais de um milhão de pessoas. A decisão do governo israelense de atuar simultaneamente no Irã e no Líbano enfrenta críticas internas, com opositores apontando falta de estratégia e recursos adequados.
Fontes indicam que a Casa Branca avalia enviar até 10.000 soldados adicionais para a região nas próximas semanas.


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