Economia
Conferência da OMC em Camarões é estendida por impasse brasileiro
As negociações durante a conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada em Yaoundé, capital de Camarões, foram prolongadas neste domingo (29) devido a um bloqueio de última hora promovido pelo Brasil. As discussões envolviam temas como comércio eletrônico, agricultura e reformas da organização.
O impasse foi causado pelo Brasil, que contesta o capítulo sobre comércio eletrônico como forma de protesto pela falta de um acordo sobre a agricultura, segundo diplomatas presentes.
“A agricultura é a área que menos avançou nos 30 anos da OMC. Não podemos deixar essa situação continuar”, afirmou no sábado, em Camarões, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.
“É necessário encontrar um acordo justo para reiniciar as negociações”, complementou. Após quatro dias de debates, a 14ª conferência ministerial da OMC tinha previsão de encerrar ao meio-dia local, mas, como de costume, a conclusão depende de concessões finais em certos pontos.
Os 166 membros da OMC há anos tentam formar um programa sobre negociações agrícolas, porém o tema permanece sensível para muitos países.
O objetivo em Yaoundé era aprovar uma declaração que estabelecesse as bases para reconciliar as discussões agrícolas na sede da OMC, em Genebra, Suíça.
No entanto, os desacordos continuam, pois os Estados Unidos querem reiniciar as negociações agrícolas com novas condições, proposta que é rejeitada por vários países em desenvolvimento.
Esta reunião ministerial tinha como prioridade aprovar um plano de ação para revitalizar a organização, que vem sendo enfraquecida por tensões geopolíticas, bloqueios nas negociações e o aumento do protecionismo, além dos impactos da guerra no Oriente Médio no comércio mundial.
As conferências ministeriais da OMC ocorrem a cada dois anos. Esta é a segunda vez que o continente africano sedia o evento, após Nairóbi, no Quênia, em 2015.


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