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Presidente sírio quer parceria com Alemanha em migração e reconstrução
O presidente sírio Ahmed al-Sharaa defendeu hoje, em Berlim, a cooperação com a Alemanha em questões migratórias e na reconstrução da Síria, país devastado por um longo conflito civil.
Em sua primeira visita oficial à Alemanha, Ahmed al-Sharaa foi recebido pelo presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, no palácio de Bellevue e posteriormente encontrou-se com o chanceler, Friedrich Merz.
Após ter derrubado o ex-presidente Bashar al Assad no final de 2024, al-Sharaa, antigo líder rebelde islamista, passou a estabelecer vínculos com nações ocidentais, realizando diversas viagens ao exterior, incluindo Estados Unidos, França e Rússia.
Ele tem trabalhado para suspender várias sanções internacionais contra a Síria, buscando apoio para a reconstrução do país após 14 anos de guerra civil, que causou uma grande migração de sua população.
Após o encontro com Merz, al-Sharaa afirmou que Berlim e Damasco desejam implementar um modelo migratório circular que permita aos sírios contribuir para a recuperação de sua terra natal sem terem que abrir mão da vida que construíram na Alemanha.
O chanceler alemão ressaltou o esforço conjunto para que os sírios possam retornar a seu país a partir da Alemanha de forma segura.
Estima-se que cerca de um milhão de sírios chegaram à Alemanha como refugiados, especialmente durante a crise migratória de 2015.
Um grupo de sírios recebeu al-Sharaa próximo à Chancelaria, mostrando a nova bandeira revolucionária da Síria e cartazes em apoio ao presidente, cercado por corações.
Investimentos e recuperação
Antes da reunião com Merz, al-Sharaa participou de um fórum econômico no qual enfatizou o desejo da Síria em recuperar o atraso em relação ao mundo, especialmente por meio de investimentos.
Ele destacou que o país pode funcionar como um ponto estratégico para cadeias de suprimentos, facilitando o transporte de energia e mercadorias para a Europa sem depender do Estreito de Ormuz, afetado pela guerra no Oriente Médio.
Para impulsionar a reconstrução, al-Sharaa pediu que os sírios que estudaram e trabalharam na Alemanha contribuam com suas habilidades no país.
O chanceler alemão garantiu o apoio da Alemanha para essa reconstrução, anunciando um plano ambicioso de trabalho conjunto e indicando que uma delegação alemã visitará a Síria em breve.
A Alemanha financiará até 200 milhões de euros para projetos relacionados a água potável e restauração de hospitais, condicionando muitos destes investimentos à governança da Síria com base no Estado de Direito.
Controvérsias e desafios
Ativistas de direitos humanos criticaram a visita de al-Sharaa, citando seu passado islamista e a atual violência e instabilidade na Síria.
Manifestantes protestaram em frente ao Ministério das Relações Exteriores alemão, exibindo bandeiras curdas e lembrando a trajetória do presidente.
Desde que assumiu o poder, as tensões entre comunidades têm causado mais violência, enquanto o grupo extremista Estado Islâmico ainda atua no país.
Israel, por sua vez, reforçou sua presença militar na região das Colinas de Golã e realizou ataques frequentes no território sírio.
A visita de al-Sharaa inicialmente marcada para janeiro precisou ser adiada devido a combates entre tropas governamentais e as Forças Democráticas Sírias, lideradas pelos curdos no norte do país.


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