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Possíveis causas da explosão e incêndio em avião após decolagem em Guarulhos

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O acidente envolvendo o avião da Delta Airlines, que precisou realizar um pouso de emergência no Aeroporto Internacional de Guarulhos, durante a noite de domingo, 29, ocorreu após o motor de uma das turbinas pegar fogo e pode ter sido provocado por aves, animais ou por pedaços metálicos que estavam na pista, segundo especialistas. Contudo, a aeronave conta com sistemas de segurança que possibilitam a continuação do voo mesmo com uma turbina inoperante.

O incidente se deu logo após a decolagem em direção aos Estados Unidos, e o Airbus transportava 272 passageiros além de 14 tripulantes. O piloto acionou os sistemas de emergência, comunicou a torre de controle e fez o pouso de emergência no próprio aeroporto, sem que havia ocorrido feridos.

A investigação está a cargo da Força Aérea Brasileira (FAB).

A Delta Airlines comunicou em seu site oficial que o voo foi cancelado devido a problema no motor esquerdo e lamentou o transtorno para os passageiros. A empresa ressaltou que o Airbus A330-300 aterrissou em segurança, foi atendido pela equipe de combate a incêndio do aeroporto e os passageiros foram transportados de ônibus até o terminal.

A aeronave decolou às 23h49 rumo a Atlanta (EUA), e segundos após a decolagem ocorreu uma explosão no motor esquerdo, causando a queda de fragmentos queimados próximos à pista, que deram início a um foco de incêndio.

De acordo com o engenheiro mecânico Gerardo Portela, especialista em gerenciamento de risco da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), registros históricos indicam que esse tipo de acidente geralmente ocorre pela aspiração de corpos estranhos, como pássaros, balões, ou objetos deixados na pista, como parafusos.

“Isso ocorre quando veículos ou outras aeronaves deixam algo na pista e, durante a decolagem, o avião alcança velocidade e levanta esses objetos, os quais podem entrar na turbina”, esclarece.

O especialista destaca que esse modelo de avião possui turbinas avançadas e pode continuar o voo mesmo com uma turbina desativada. “As companhias aéreas atualizam rapidamente esses sistemas. É uma aeronave bastante segura, amplamente utilizada em voos transatlânticos.”

Mesmo com a perda de uma turbina, o avião mantém sua capacidade total de voo, acrescenta o especialista, que também destaca a existência de um sistema confiável para detectar fogo, gases e superaquecimento nas turbinas, enviando alertas para a cabine em caso de anormalidades.

Além disso, essas aeronaves contam com sistemas de combate a incêndio para cada turbina, os quais incluem produtos químicos capazes de extinguir eficientemente qualquer fogo ou explosão, isolando o problema para evitar maiores danos.

Sobre os destroços que caíram da turbina durante o incêndio, Gerardo Portela explica que, se as paletas da turbina se soltassem, poderiam atingir o avião com força semelhante à de um míssil, porém, o motor tem uma carcaça que impede que fragmentos penetrem na fuselagem. Ainda assim, peças podem cair no solo, como ocorreu, provocando incêndio próximo à pista de pouso de emergência.

Além da hipótese da ingestão de objeto estranho, há a possibilidade de falha no motor, segundo o engenheiro.

“No solo, todas as medidas necessárias foram adotadas para controlar a situação. Nesses cenários, a prioridade é pousar a aeronave o quanto antes, mesmo com uma turbina em funcionamento e possivelmente um pequeno foco de incêndio, que os bombeiros tentam controlar da melhor forma possível”, explica.

O Airbus A330-300 da Delta Airlines tem capacidade para até 282 passageiros, distribuídos nas classes executiva, premium e econômica. Mede 63,4 metros de comprimento e 60,1 metros de envergadura, com cauda de 16,9 metros de altura.

Esta aeronave alcança velocidade de cruzeiro próxima de 855 km/h e autonomia de 10 mil quilômetros, habilitando voos intercontinentais sem escalas. O modelo é equipado com dois motores turbofan, que são grandes ventiladores usados para gerar empuxo.

Quanto à coleta e confirmação das informações, a Força Aérea Brasileira informou que pesquisadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com sede em Brasília, foram acionados no domingo para realizar a inspeção inicial da ocorrência com a aeronave de matrícula N813NW no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Durante a investigação, foram adotadas técnicas específicas para coleta e validação dos dados, preservação de evidências, avaliação preliminar dos danos causados ou sofridos pela aeronave e levantamento de outras informações essenciais para esclarecer o ocorrido. O resultado final será divulgado após a conclusão das apurações.

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