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Economia

Vendas de imóveis no Recife crescem 53% com desaceleração nos preços da construção

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A cidade do Recife no estado de Pernambuco apresenta atualmente uma situação singular no mercado imobiliário nacional, com uma redução no ritmo de aumento dos custos de construção, enquanto a procura por imóveis continua crescendo.

As informações foram avaliadas pela Trinus, plataforma especializada em dados financeiros e governança para o setor imobiliário, com base no Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), reportado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em comparação com a alta de 0,63% nos custos de construção em janeiro, o mês de fevereiro mostrou uma ligeira desaceleração, com aumento de apenas 0,34%. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice atingiu 5,83%, valor inferior aos 7,18% observados no mesmo período do ano anterior.

Embora esses números não reflitam integralmente todos os custos envolvidos nas obras, inicialmente oferecem um alívio para o setor. Porém, especialistas recomendam cautela.

“É fundamental estar atento, pois o índice consolidado do INCC-M pode ocultar variações significativas entre os diversos componentes e etapas da construção”, esclarece Ariany Arruda, chefe de Engenharia da Trinus.

Por exemplo, em janeiro, os materiais para instalações tiveram variações bruscas, passando de uma queda de 0,22% para uma alta de 1,03%, mostrando oscilações que podem não ser percebidas ao analisar apenas o índice geral.

Para quem está planejando ou executando obras, este cenário pode representar um aumento inesperado nos custos. Outro fator que pressiona o setor é o custo da mão de obra especializada.

Em janeiro, profissionais como armadores (+1,29%), encanadores (+1,20%), pedreiros (+0,93%) e eletricistas (+0,92%) tiveram aumentos acima da média do índice, tendência que costuma persistir em mercados imobiliários aquecidos.

Custos Controlados no Recife

Enquanto o índice nacional indica pressão nos custos, o Recife apresentou um comportamento mais estável durante o ano de 2025.

Em meses como outubro e dezembro, a cidade destaque-se entre as capitais acompanhadas pela FGV por apresentar desaceleração nos custos, mesmo quando outras cidades mostravam acréscimos. Essa tendência continuou em fevereiro de 2026.

“O controle dos custos no Recife reflete uma cadeia produtiva local capaz de absorver o aumento da demanda sem provocar os gargalos observados em mercados como São Paulo, onde a alta acumulada em 12 meses alcança 7,01%”, acrescenta Ariany.

Para incorporadoras atuantes em várias regiões, o Recife oferece atualmente condições operacionais mais protegidas.

Mercado Imobiliário em Expansão

Os indicadores do setor confirmam este panorama favorável. Em 2025, o Valor Geral de Vendas (VGV) da Região Metropolitana do Recife atingiu aproximadamente R$ 10,1 bilhões, um aumento de 53% em relação ao ano anterior, com 12.061 unidades comercializadas.

O volume comercializado quase dobrou o número de lançamentos no período, reduzindo o tempo para esgotamento de estoque para seis meses, o menor registrado até hoje na região.

O mercado apresenta uma forte segmentação: o programa Minha Casa Minha Vida cresceu 40%, representando mais da metade das vendas, enquanto o segmento de alto padrão teve expansão de 647%, aumentando sua participação para 17,2% do total.

Bairros como Imbiribeira e Vasco da Gama concentraram mais da metade dos novos lançamentos, indicando expansão para além das áreas tradicionais como Boa Viagem.

“O Recife vive um momento raro, com demanda sustentadamente maior que a oferta, estoques no menor nível da história e valorização patrimonial em altos níveis. O mercado de luxo local já é o terceiro maior do país, após São Paulo e Goiânia”, destaca Silvia de Castro, executiva regional de Novos Negócios Norte/Nordeste da Trinus.

Oportunidade e Desafios para 2026

A combinação de custos controlados, alta demanda e estoques reduzidos cria uma janela estratégica para lançamentos em 2026.

No entanto, há um alerta: 87,7% das unidades disponíveis foram lançadas entre 2023 e 2025, indicando risco de desequilíbrio entre oferta e demanda.

“O principal desafio no Recife atualmente não é o INCC, mas a velocidade de resposta do setor imobiliário. O mercado absorve imóveis mais rapidamente do que são lançados. Incorporadoras que conseguirem lançar novos projetos em 2026, especialmente nos segmentos popular e de alto padrão nos eixos de expansão, terão forte demanda reprimida. A janela de oportunidade existe, porém é limitada. Planejamento estratégico e boa governança para obtenção de crédito serão diferenciais para quem quiser liderar”, conclui Silvia de Castro.

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