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Lula leva tempo recorde para enviar indicação ao STF

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O Palácio do Planalto informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhará ainda nesta terça-feira ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga disponível no Supremo Tribunal Federal (STF). A espera pelo envio da indicação atingiu 130 dias desde o anúncio, um tempo sem precedentes.

Este encaminhamento é fundamental para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), autorize a sabatina e programe a votação em plenário.

Recentemente, nos casos em que é possível comparar o anúncio público com o envio oficial, o prazo variou entre zero e 21 dias.

O atraso aconteceu durante um período de distanciamento político entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, responsável pela gestão da indicação.

Lula anunciou em 20 de novembro de 2025 sua intenção de nomear Messias para substituir o ministro aposentado Luís Roberto Barroso. Mesmo com o anúncio público, o processo formal só começa com o envio da mensagem ao Senado para tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

No atual mandato, o presidente demorou 11 dias para enviar a indicação de Cristiano Zanin ao Senado após publicação no Diário Oficial. Já no caso de Flávio Dino, o envio foi imediato, no mesmo dia do anúncio.

Antes de Messias, o maior intervalo registrado foi o de André Mendonça. O ex-presidente Jair Bolsonaro levou 21 dias para enviar a indicação após oficializar sua escolha.

Aliados do presidente do Senado relatam que a demora causou constrangimento no final do ano passado. Na ocasião, Alcolumbre chegou a divulgar um calendário para análise da indicação junto ao presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA).

Porém, o cronograma não avançou porque o governo não enviou a mensagem presidencial. Parlamentares disseram que o governo acreditava não ter votos suficientes para aprovar Messias.

Esse episódio é considerado por aliados de Alcolumbre como um sinal de desorganização política no Planalto, contribuindo para o afastamento entre o senador e Lula.

Nos bastidores, a oposição defende que a análise da indicação fique para depois das eleições de outubro.

Ruídos políticos persistentes

A aprovação na votação secreta do plenário do Senado requer ao menos 41 votos favoráveis. Devido à demora, a indicação tem sido tema de conversas entre o Planalto e o Senado.

Alcolumbre apoiava que o indicado fosse o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a preferência do governo por Messias aumentou o atrito entre as partes.

Desde então, as conversas diretas entre Lula e Alcolumbre se tornaram esporádicas e restritas a contatos telefônicos breves.

Messias já conversou com 75 dos 81 senadores desde o anúncio de sua indicação. Alguns senadores condicionaram o encontro ao envio formal da mensagem presidencial.

Por exemplo, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) informou que prefere tratar do tema apenas após a formalização do processo.

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