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Israel continuará pressionando o regime iraniano
O premier de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou nesta terça-feira (31) que manterá a ofensiva contra o governo iraniano, que ele classificou como terrorista, e afirmou que o conflito em curso há mais de um mês ainda está longe do fim.
Netanyahu se manifestou logo após o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, expressar desejo de encerrar as hostilidades, condicionando-o a garantias que impeçam novas agressões.
O líder israelense ressaltou a continuidade da campanha: “A operação não terminou. Vamos seguir pressionando o regime terrorista, reforçando as áreas de segurança ao nosso redor e buscando alcançar nossos objetivos”, afirmou em pronunciamento transmitido pela televisão.
Com o segundo mês de conflito iniciado, a guerra no Oriente Médio, que impacta a economia global e já resultou em milhares de mortos, não demonstra sinais de trégua, apesar das tentativas de negociação diplomática.
A terça-feira foi marcada por ataques intensos contra o Irã e por uma advertência da Guarda Revolucionária, o braço ideológico militar da República Islâmica, às grandes corporações americanas de tecnologia como Google, Meta e Apple, caso dirigentes iranianos fossem assassinados.
Enquanto isso, o presidente iraniano apresentou condições para o cessar-fogo, incluindo compensações financeiras, definição clara de responsabilidades e o fim das operações hostis em todos os fronts.
Espionagem
O otimismo registrado nos mercados financeiros contrasta com o discurso da Guarda Revolucionária, que em nota oficial acusou 18 empresas americanas, entre elas Google, Apple, Meta e Tesla, de práticas de espionagem.
O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, declarou que os próximos dias serão cruciais e garantiu que as negociações com o Irã estão avançando.
Explosões foram ouvidas à noite no centro de Teerã, segundo um correspondente da AFP.
Na segunda-feira, o presidente americano Donald Trump ameaçou realizar ataques contra instalações energéticas iranianas, caso as negociações não avancem rapidamente e o país não desbloqueie imediatamente o Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de um quinto dos hidrocarbonetos mundiais antes do conflito.
Impacto na vida cotidiana
Os moradores de Teerã relatam as dificuldades de viver em meio a um conflito contínuo que insiste em não permitir o retorno à normalidade.
Shahrzad, uma dona de casa de 39 anos, comentou: “Tenho ficado em casa na maior parte do tempo e só saio se for realmente necessário. Às vezes, me emociono e sinto falta dos dias tranquilos”.
Na ofensiva contra seu território, o Irã tem continuado os ataques contra Israel e os aliados americanos na região do Golfo, contando com o apoio do grupo Hezbollah no Líbano e dos rebeldes huthis no Iêmen.
Relatos de explosões em Jerusalém foram registrados após alertas sobre mísseis iranianos emitidos pelo Exército israelense. Também houve relatos de explosões em Dubai e feridos perto da capital saudita Riade, onde sistemas de defesa aérea interceptaram um drone.
A empresa estatal de petróleo do Kuwait informou que um de seus navios-tanque sofreu incêndio nas águas próximas a Dubai, após um ataque direto atribuído ao Irã.
Conflito regional e tensões adicionais
Se as negociações diplomáticas falharem, Donald Trump pretende solicitar a países europeus e da região do Golfo que forcem a reabertura do Estreito de Ormuz, conforme fontes americanas.
Por outro lado, contrariando as demandas do presidente dos EUA, uma comissão parlamentar iraniana aprovou um projeto que prevê cobrança de taxas aos navios que passam pelo estreito e proibiu a passagem de navios norte-americanos e israelenses, segundo a mídia oficial.
O conflito envolve outros países do Oriente Médio, como o Líbano, onde o grupo islâmico Hezbollah atacou Israel em solidariedade ao Irã no início de março.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que seu país pretende ocupar parte do sul do Líbano após o conflito.
O governo libanês condenou o plano como uma nova ocupação de seu território.
O ministro da Defesa do Líbano, general de divisão Michel Menassa, alertou que as declarações de Katz representam um claro intento de impor ocupação, deslocar centenas de milhares de pessoas e destruir povoados e cidades do sul libanês.
Em Nova York, a ONU convocou reunião emergencial do Conselho de Segurança após acontecimentos graves em que três soldados indonésios da Força Interina das Nações Unidas no Líbano foram mortos.
Uma fonte de segurança da ONU indicou que um dos capacetes azuis indonésios foi vítima de artilharia israelense.


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