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Pacheco entra no PSB e mantém opção para governo de Minas em aberto
O senador Rodrigo Pacheco ingressou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) na noite de quarta-feira, oficializando sua troca de legenda em meio a uma reorganização política em Minas Gerais. Apesar desse movimento, ele ainda não confirmou se disputará o governo do estado.
Em seu discurso de filiação, Pacheco enfatizou que a decisão será tomada pelos líderes políticos mineiros nos próximos meses e manteve a definição em aberto.
— Quero destacar que essa filiação é um ato de pertencimento a um partido onde me sinto muito bem. A partir de agora, será com os agentes políticos de Minas discutir as composições eleitorais — afirmou.
Pacheco frisou que as negociações não devem ocorrer em Brasília:
— Disputamos cargos de governador, senador e deputado, e o PSB estará engajado na busca de um caminho que fuja da desorganização da administração pública em Minas Gerais. As decisões serão tomadas ao longo do tempo. Qualquer candidatura do PSB deve surgir da base social, não da capital federal — disse.
A entrada no PSB foi acordada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que vê no senador uma liderança importante no estado. Contudo, Pacheco optou por aguardar para avaliar o cenário até as convenções partidárias, previstas para julho.
— Minutos antes de me filiar, recebi uma ligação do presidente Lula parabenizando-me. Reconhecemos a importância de dialogar diante da demanda em Minas — conta Pacheco.
Parte do grupo que acompanha o senador também migrou para o PSB. Com a filiação do atual governador Mateus Simões ao PSD, Pacheco deixou sua antiga legenda e realocou aliados entre PSB, MDB e PSDB.
Líderes do PSB participaram do evento, como o presidente nacional da sigla, o prefeito do Recife João Campos, e o vice-presidente Geraldo Alckmin, homenageado após confirmação como vice na chapa presidencial de Lula em 2026. Nos discursos, ressaltaram a importância política de Minas Gerais.
— Minas é um estado que nunca errou voto presidencial. Estamos felizes em recebê-lo no partido, e nenhum outro está mais preparado para liderar Minas — declarou Campos.
Alckmin elogiou o senador pela atuação institucional, principalmente após os eventos de 8 de janeiro de 2023.
— Rodrigo Pacheco desempenhou papel essencial naquele momento difícil como presidente do Senado. Sua moderação é uma virtude rara e vital para o desenvolvimento de Minas — afirmou.
Pacheco afirmou que defender a democracia se tornou sua missão:
— Em tempos em que grupos insatisfeitos sugeriam ruptura democrática, o PSB se posicionou firme ao lado da democracia. Tenho orgulho em dizer que essa é minha causa de vida, pois o nosso processo democrático ainda está em construção e o autoritarismo representa risco — destacou.
Aliados de Pacheco relatam que a cautela visa organizar a base antes de qualquer anúncio. Com a nova filiação, o senador permanece ativo na política, porém evita entrar prematuramente em uma disputa ainda indefinida.
A escolha pelo PSB ocorreu após semanas de negociações e uma avaliação de que o partido oferece maior estabilidade e menos conflitos internos. Outras legendas como União Brasil e MDB foram consideradas, mas perderam força devido a disputas locais e candidaturas já posicionadas.
Na União Brasil, a federação com o Progressistas (PP) e a influência do ex-secretário Marcelo Aro, aliado do ex-governador Romeu Zema (Novo), foram fatores contrários. O MDB tem o ex-vereador Gabriel Azevedo como pré-candidato.
Pacheco também fez um gesto de apoio ao compartilhar nas redes sociais um vídeo da pré-candidata ao Senado Marília Campos (PT), em que seu nome foi citado por apoiadores. Segundo interlocutores, trata-se apenas de um sinal político, sem compromisso.
A ideia é ajustar o momento de entrada na disputa conforme o panorama político nacional e estadual se defina, evitando exposição precoce.
O cenário em Minas ainda é incerto. O atual governador Mateus Simões (PSD) é sucessor do grupo de Romeu Zema (Novo), enquanto partidos aliados ainda discutem alianças.
O Partido Liberal busca montar alternativa com o empresário Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, como possível candidato ou integrante da chapa. O senador Cleitinho (Republicanos) também é um concorrente.
Aliados de Pacheco avaliam que a fragmentação no estado favorece a estratégia de aguardar. Esperam que, com o avanço das negociações, o senador possa decidir melhor sobre sua participação nas eleições.


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