Mundo
Irã não guarda rancor contra o povo americano, afirma Masoud Pezeshkian
Em uma carta dirigida ao “povo dos Estados Unidos da América” e “aqueles que continuam buscando a verdade”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o povo iraniano não mantém hostilidade contra outras nações, incluindo os americanos, europeus ou países vizinhos.
O extenso texto, escrito em inglês, foi divulgado nesta quarta-feira (1º) na rede social X. O líder iraniano mencionou as repetidas intervenções estrangeiras sofridas ao longo da história do Irã e afirmou estar empenhado em combater o que chamou de “maré de distorções e narrativas fabricadas”.
Masoud Pezeshkian ressaltou que os iranianos sempre fizeram uma distinção clara entre seus governos e o povo governado, uma característica profundamente enraizada na cultura iraniana e na consciência coletiva — e não uma mera posição política passageira.
Bases militares americanas
O presidente destacou que o Irã é uma das civilizações contínuas mais antigas da humanidade e que, apesar de suas vantagens históricas e geográficas, nunca optou pelo caminho da agressão, expansão, colonialismo ou dominação.
Entretanto, os Estados Unidos concentraram o maior número de forças militares, bases e capacidades ao redor do Irã — país que, desde a fundação dos EUA, nunca iniciou uma guerra. As agressões americanas recentes, lançadas a partir dessas bases, mostram o quão ameaçadora essa presença militar é. Qualquer país nessas condições naturalmente fortalece suas defesas, enfatizou.
Pezeshkian afirmou que a resposta iraniana é comedida e fundamentada na legítima autodefesa, jamais uma iniciativa agressiva ou de guerra.
Histórico das relações entre Irã e EUA
O texto observa que as relações entre os dois países nem sempre foram hostis, mas deterioraram-se após o golpe de Estado orquestrado pelos Estados Unidos para derrubar o primeiro-ministro eleito Mohammad Mossadegh, na chamada Operação Ajax, com apoio do Reino Unido. Isso ocorreu após o governo iraniano da época decidir nacionalizar o petróleo.
Esse golpe desestruturou a democracia iraniana, restaurou uma ditadura e gerou profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas americanas. A desconfiança aumentou com o apoio dos EUA ao regime do xá, o respaldo ao líder iraquiano Saddam Hussein durante a guerra dos anos 1980, a imposição das mais longas e severas sanções da história moderna e agressões militares não provocadas contra o Irã, incluindo ataques em meio a negociações.
Progresso e desafios no Irã
Apesar das pressões, o Irã se fortaleceu em várias áreas após a Revolução Islâmica: as taxas de alfabetização triplicaram, o ensino superior expandiu-se significativamente, houve avanços tecnológicos, melhorias nos serviços de saúde e desenvolvimento acelerado da infraestrutura — fatos observáveis e independentes das narrativas distorcidas.
Pezeshkian alertou, porém, que o impacto da guerra, sanções e agressões sobre a vida do povo iraniano resistente não deve ser subestimado. A continuação dos bombardeios afeta profundamente as vidas, atitudes e perspectivas das pessoas, refletindo a verdade humana fundamental de que danos irreparáveis provocam reação.
Dúvidas sobre interesses americanos e influência externa
O presidente do Irã questionou se os interesses do povo americano são realmente beneficiados por essa guerra e se o país enfrentou alguma ameaça real que justifique tais ações. Ele criticou a destruição causada, como o massacre de crianças inocentes e o ataque a instalações farmacêuticas, perguntando se isso serve a algum propósito além de enfraquecer a posição global dos EUA.
Masoud Pezeshkian também suspeitou da manipulação dos Estados Unidos por Israel no conflito, argumentando que Israel fabrica uma ameaça iraniana para desviar a atenção de seus crimes contra os palestinos e pretende lutar contra o Irã usando os recursos americanos.
Ele convidou o público a olhar além da desinformação e a conversar com pessoas que visitaram o Irã, observando o sucesso de muitos imigrantes iranianos acadêmicos e profissionais no Ocidente, realidades que contrastam com as distorções sobre o país e seu povo.
Conflito atual e consequências
Os ataques combinados dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano completaram um mês, sem sinais de resolução. Figuras importantes, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, estão entre os mortos.
O conflito fechou o Estreito de Ormuz, por onde circulam cerca de 20% dos carregamentos de petróleo mundial, elevando o preço do barril em cerca de 50%. Especialistas advertem sobre riscos ambientais e climáticos decorrentes da guerra.
Nesta quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará um pronunciamento nacional ao vivo às 22h (horário de Brasília) para abordar a guerra.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login