Conecte Conosco

Brasil

Médico suspeito de abuso sexual no RS é preso

Publicado

em

Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deteve, na segunda-feira, 30, um cardiologista suspeito de abusar sexualmente de ao menos 28 pacientes durante consultas.

Daniel Kollet, 55 anos, foi preso em seu consultório em Taquara, sob acusação de importunação sexual e violação sexual mediante fraude. A defesa não foi localizada.

De acordo com as investigações, o médico se aproveitava do momento em que as pacientes estavam despidas para se aproximar delas, abraçá-las e fazer carícias sem consentimento. Em alguns casos, teria tocado as partes íntimas das vítimas e, ao terminar os atendimentos, pedia que mantivessem silêncio sobre o ocorrido.

Segundo a polícia, os crimes vinham ocorrendo há cerca de 20 anos. “Trata-se de um assediador em série”, afirmou o delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pelas investigações, em entrevista ao Estadão. “Até agora, 28 vítimas registraram ocorrência, e esse número pode aumentar.”

Pelo menos três mulheres, entre 30 e 42 anos, prestaram depoimentos à polícia relatando experiências semelhantes com Kollet.

Médico afirmava ser médium

Em um dos depoimentos, uma vítima disse que Daniel Kollet se apresentava como médium para justificar os abusos. Ela era paciente desde 2024 e fazia check-ups frequentemente.

Na primeira consulta, a paciente notou a “forma carinhosa” com que foi tratada pelo profissional. Ela procurava ajuda por dores estomacais e para tentar engravidar.

Durante a consulta, o médico pediu que ela se sentasse em uma maca, apalpou sua barriga e, depois, os seios. A vítima contou que Kollet chegou a apresentar ereção e teria esfregado seu órgão nas pernas dela.

O médico abraçou a paciente, disse ser médium e que transmitiria “energia positiva pelo abraço”. Ele solicitou que ela não contasse o ocorrido a ninguém.

Na segunda consulta, em março de 2025, o episódio se repetiu. Durante exames, ao se levantar ainda sem sutiã, ela foi novamente abraçada e sentiu a ereção do médico em contato com seu corpo. A vítima não registrou queixa na época por medo de julgamentos e por acreditar que precisaria de provas concretas.

“Um segredo entre nós”

Outra vítima relatou abuso em 2024 durante consulta para tratar um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e monitoramento pós-cirurgia bariátrica.

Após exames, nos quais permaneceu apenas de calcinha, o cardiologista se aproximou, abraçou-a mesmo estando sem roupas, e passou as mãos em suas costas e ombros.

Kollet teria dito que ela “estava bem” e não precisava se preocupar, repetindo o gesto duas vezes, o que causou constrangimento e imobilidade na vítima.

Ao se vestir, foi novamente abraçada intimamente, sendo instruída a manter o ocorrido como “um segredo entre eles”. Ela contou à mãe e nunca mais retornou ao consultório.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados