Economia
Erros comuns que podem levar à malha fina e como evitá-los
Quase um mês após o início do período de entrega da declaração do Imposto de Renda de 2026, muitos contribuintes ainda têm dúvidas sobre como preencher corretamente o documento. Um dos principais temores é ser incluído na malha fina, instrumento usado pela Receita Federal para identificar divergências entre as informações declaradas e dados provenientes de outras fontes, como empresas, bancos e instituições financeiras. Essa situação pode atrasar a restituição e exigir comprovações adicionais.
De acordo com a Receita Federal, mais de 9,1 milhões de declarações foram enviadas neste ano, e cerca de 881,6 mil estão retidas na malha fina, representando cerca de 11% do total. Esse percentual é semelhante ao do ano anterior, quando a taxa era de 8%.
Erros simples, como dados inconsistentes, omissão de rendimentos — especialmente de trabalhos extras, aluguéis ou dependentes — e falhas no preenchimento financeiro, são causas frequentes dessa retenção. Diante disso, o vendedor Daniel Florêncio, 43 anos, opta por contar com um profissional contábil para fazer a declaração, evitando assim problemas.
“Nunca me arrisquei a fazer sozinho. Apesar de parecer simples, sempre fico com receio e prefiro a ajuda de um especialista. Ter um profissional qualificado é minha garantia de não enfrentar complicações”, explicou Daniel.
Daniel compartilhou ainda um episódio negativo: após ser vítima de um golpe, enfrentou vários problemas fiscais que só foram resolvidos após dois anos de batalhas com a Receita Federal. Essa experiência o fez reforçar a importância de contar com um contador para esse processo.
O contador Charles Gularte, da empresa Contabilizei, destaca que evitar a malha fina exige preparação e atenção, não apenas no momento da entrega, mas durante todo o processo, que inclui três etapas essenciais: organizar a documentação, revisar atentamente as informações e utilizar a declaração pré-preenchida de forma criteriosa.
Segundo Charles, reunir antecipadamente os documentos — como informes de rendimentos, comprovações de despesas, dados pessoais e informações dos dependentes — é fundamental para evitar erros e facilitar as conferências. Ele aconselha manter esses comprovantes por pelo menos cinco anos.
Além disso, contribuintes com conta Gov.br nos níveis prata ou ouro podem acessar informações importantes pelo Portal Meu Imposto de Renda para conferir dados informados por fontes pagadoras, o que auxilia na correção de possíveis inconsistências.
Embora a declaração pré-preenchida simplifique o processo, Charles alerta que a revisão completa ainda é necessária — o contribuinte deve verificar e ajustar todas as informações antes do envio.
Além disso, é possível reduzir legalmente o imposto devido ou aumentar a restituição conhecendo as despesas dedutíveis, como gastos com dependentes, educação formal e saúde, desde que devidamente comprovados com documentação válida. Também são dedutíveis contribuições à Previdência Social e planos privados de previdência do tipo PGBL, respeitando limites estabelecidos.
É fundamental que todas as informações estejam corretas, sob pena de retenção da declaração. A Receita Federal utiliza um sistema automatizado e rigoroso que cruza dados financeiros, registros de bens, despesas médicas e rendimentos declarados, tornando essencial a precisão no preenchimento.
O que acontece ao cair na malha fina?
Ser retido na malha fina não significa necessariamente fraude. A Receita permite que o contribuinte corrija informações, evitando multas quando a retificação é espontânea. Contudo, em casos graves, como omissão intencional de rendimentos, as penalidades podem chegar a 75% do imposto devido e até mais, incluindo multas por fraude.
Para acompanhar a situação da declaração, recomenda-se usar o portal e-CAC, onde é possível verificar pendências e motivos da retenção. Corrigir erros rapidamente é essencial para desbloquear o processamento da declaração e evitar complicações.

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