Economia
Nova escalada do conflito no Irã pressiona custo da energia e inflação; petróleo supera US$ 100
As recentes tensões entre os Estados Unidos e o Irã, agravadas pela ameaça do presidente Donald Trump de fechar o Estreito de Ormuz, despertaram alerta nos mercados mundiais. Em resposta, autoridades iranianas afirmaram que manterão o controle da passagem e não cederão às ameaças.
Desde o domingo, 12, o preço do barril de petróleo ultrapassou os US$ 100, refletindo o impacto imediato no mercado energético. Essa situação deve afetar diretamente a inflação e a atividade econômica, especialmente se as ameaças do Exército americano de bloquear portos iranianos se concretizarem a partir das 11 horas (horário de Brasília) de segunda-feira, 13.
Especialistas destacam que a crise no Oriente Médio, com a possível interrupção de uma rota crucial do petróleo, pode aumentar os custos dos combustíveis, pressionar a cadeia produtiva e evidenciar a vulnerabilidade do Brasil, especialmente pela sua dependência de diesel e fertilizantes.
Analistas em energia, economia e relações internacionais comparam o atual cenário à situação enfrentada durante a pandemia de covid-19, ressaltando a necessidade do Brasil se preparar para reduzir essa dependência crítica.
No domingo, Donald Trump ordenou o bloqueio total do Estreito de Ormuz, acusando o Irã de extorsão contra líderes globais e destacando que, apesar de muitos pontos terem sido acordados, a questão da energia nuclear permaneceu sem resolução.
Com o fracasso nas negociações, espera-se um agravamento na oferta mundial de petróleo, já que cerca de 20% do petróleo global transita por essa região. Dados da Bloomberg indicam que navios petroleiros têm evitado a passagem pelo estreito.
O impacto já se refletiu rapidamente: o preço do barril começou o domingo em alta, acima de US$ 104, e na manhã de segunda-feira chegou a US$ 102,20, um aumento de 7,39%.
David Zylbersztajn, ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, explica que o fluxo de petróleo e outros insumos petroquímicos, incluindo fertilizantes e minerais estratégicos, está ameaçado. Ele destaca que setores como transporte e agricultura sofrerão com o fechamento de Ormuz, o que tende a elevar ainda mais a inflação.
Segundo Zylbersztajn, o aumento dos preços ocorrerá globalmente, uma vez que combustíveis influenciam diretamente a inflação e o custo de produção industrial, além de elevar custos de transporte e seguros.
O especialista sugere que se a situação piorar, medidas semelhantes às adotadas durante a pandemia serão necessárias para melhorar a logística e diminuir temporariamente a dependência de importações.
Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional e consultor de fundos internacionais, observa que, embora o momento não seja tão excepcional quanto na pandemia, a estrutura do choque econômico é semelhante. A resposta é contudo mais limitada devido à inflação elevada e aos juros altos, o que pode tornar o choque mais doloroso em termos de renda real a longo prazo.
Os especialistas concordam que o Brasil precisa criar estratégias para reduzir sua dependência do diesel. Aragão aconselha a criação de estoques estratégicos e a realização de compras antecipadas de fornecedores fora da zona de risco, como Argentina, Nigéria e Estados Unidos, além de explorar a capacidade ociosa de refino doméstico.
O Brasil também deve intensificar sua diplomacia comercial para garantir fornecimento alternativo de petróleo e fertilizantes, fortalecendo relações com Emirados Árabes, Arábia Saudita, Marrocos, Rússia e Canadá, já que importa mais de 85% dos fertilizantes que utiliza.
Por outro lado, o aumento do preço do petróleo pode beneficiar setores como o do etanol, que ganha competitividade em relação à gasolina, e exportadores podem se beneficiar caso o câmbio se deprecie.
Aragão alerta que, se o impasse entre Irã e Estados Unidos persistir, os impactos podem afetar negativamente a economia e o cenário eleitoral brasileiro, pressionando decisões que normalmente levariam meses a serem tomadas em poucas semanas.

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