Centro-Oeste
Julgamento da chacina de Planaltina avança para debates após interrogatórios
O Tribunal do Júri de Planaltina, no Distrito Federal, terminou nesta quinta-feira, 16 de abril, o interrogatório dos cinco acusados de matar dez membros de uma família entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. O julgamento, que começou na segunda-feira, 13 de abril, com o depoimento de 18 testemunhas, entrou na fase de debates entre acusação e defesa no quarto dia.
Os últimos réus ouvidos foram Carloman dos Santos Nogueira e Carlos Henrique Alves Silva. Na quarta-feira, 15 de abril, foram interrogados os demais acusados, incluindo Horácio Carlos Ferreira Barbosa, que preferiu não falar. Carloman admitiu participar dos crimes e disse que esteve presente em todos os assassinatos, enquanto os outros responderam às perguntas no plenário.
Depois dos interrogatórios, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e os assistentes da acusação começaram as sustentações orais, utilizando cerca de 3 horas e 20 minutos para suas falas. O assistente João Darc iniciou, seguido pelos promotores Nathan da Silva Neto, Daniel Bernoulli e Marcelo Leite. Eles classificaram o caso como um “familicídio” de extrema violência e atuação conjunta dos réus, descrevendo os assassinatos como uma ação fria, organizada e planejada nos mínimos detalhes.
Os promotores pediram a condenação total dos acusados, com penas que podem chegar de 211 a 385 anos de prisão. Destacaram a união criminosa essencial para os crimes, as provas robustas – incluindo laudos periciais – e as contradições nos depoimentos dos réus, que tentaram culpar uns aos outros. Nathan da Silva Neto abriu as manifestações com um minuto de silêncio em memória das vítimas e reforçou a gravidade do caso como um dos mais graves no DF. Marcelo Leite mencionou as provas abundantes nos autos e cumprimentou Antonia, mãe de uma das vítimas de 93 anos, que acompanha o julgamento, lamentando o desaparecimento do cachorro de estimação de sua filha, possivelmente um animal queimado encontrado em uma churrasqueira.
O MPDFT ressaltou que os direitos constitucionais dos acusados foram respeitados e que o processo contou com a atuação conjunta de promotorias de Planaltina e Paranoá, o Núcleo do Tribunal do Júri e a Polícia Civil do Distrito Federal. Daniel Bernoulli destacou a consistência das provas e o papel do júri em proteger a sociedade.
A sessão terminou às 20 horas e será retomada nesta sexta-feira, 17 de abril, às 9 horas, com as defesas apresentando suas argumentações, cada uma com 45 minutos. Se houver réplica, o juiz dará cinco minutos para cada parte. Depois, o delegado Ricardo Viana, responsável pela investigação, será reinquirido. Após esclarecer dúvidas, os jurados votarão em sala secreta, e o juiz dará a sentença. A expectativa é que o julgamento continue até domingo, 19 de abril.
As sessões são abertas ao público e à imprensa, que pode gravar imagens sem áudio e sem identificar servidores ou jurados. O processo tramita sob o número 0700144-92.2023.8.07.0021 no PJe.

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