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A fé não desapareceu
Em 1882, Nietzsche declarou que “Deus está morto” em sua obra A Gaia Ciência. Essa frase representava a diminuição da influência da religião católica e dos valores cristãos, influenciada pelo Iluminismo, especialmente por filósofos franceses. Era uma metáfora que gerou debates intensos, tanto de apoio, por parte de agnósticos e marxistas, quanto de oposição, por católicos e cristãos.
O tema ressurgiu recentemente devido ao crescimento do nacionalismo cristão. Esse movimento foi iniciado pelos ex-presidentes Richard Nixon e Ronald Reagan nas décadas de 1970 e 1980, e agora é revitalizado pelo grupo MAGA (Make America Great Again), ligado a Donald Trump. Eles buscam transformar o país secular em uma nação guiada por um fundamentalismo religioso. Sob essa inspiração, o Partido Republicano se tornou alinhado à Fundação Trump, explorando ressentimentos étnicos e tensões raciais.
Essa mistura ideológica, que transforma a fé em uma mitologia política, se apoia em três pilares: o patriotismo exacerbado, o nacionalismo radical e o fundamentalismo religioso. Essa combinação cria o ambiente para um populismo nacionalista e uma postura autoritária, evidenciada pela declaração de Trump ao desejar ser ditador por um dia no início de seu mandato, um extremo no coração da democracia liberal.
O estilo de governança de Trump enfrenta dificuldades para se consolidar por dois motivos principais. Internamente, sua administração errática trouxe instabilidade ao governo federal, afetando instituições como o Federal Reserve, gerando conflitos com governadores democratas e promovendo ações autoritárias e violentas contra imigrantes, o que compromete a eficiência do sistema público americano.
Externamente, sua maneira abrupta de lidar com líderes estrangeiros prejudica as relações multilaterais. Trump busca romper consensos globais e retomar a lógica da Guerra Fria, na qual o mundo era dominado por duas superpotências que controlavam regiões estratégicas e exploravam economicamente países sem poder militar próprio, um modelo ultrapassado.
Hoje, o modelo predominante é a geopolítica baseada em blocos econômicos e alianças políticas, como a União Europeia, os BRICS, o Mercosul e a Associação de Nações do Sudeste Asiático. Esses blocos fortalecem o comércio e a cooperação internacional por meio de acordos que incentivam investimentos e inovação tecnológica.
Trump permanece preso a conceitos do século XIX, com um perfil psicológico narcisista e autoritário incompatível com a diplomacia e economia global contemporâneas do século XXI, que valorizam o respeito às soberanias nacionais e a produtividade impulsionada pela tecnologia. A política evoluiu porque a civilização avançou.

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