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A maioria dos imigrantes presos nos EUA não tem ficha criminal
Dentre os 68 mil imigrantes atualmente detidos nos Estados Unidos, 73% não possuem antecedentes criminais, segundo dados do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), da Universidade de Syracuse, dos EUA, referentes ao final de 2025.
De acordo com o TRAC, muitos daqueles que foram condenados cometeram infrações leves, incluindo delitos de trânsito.
O governo do presidente Donald Trump afirma que o Serviço de Alfândega e Imigração (ICE), alvo de protestos, está focado em prender criminosos que ameaçam a segurança pública dos EUA. No entanto, o Conselho Americano de Imigração aponta que a detenção de imigrantes sem antecedentes criminais aumentou 2.450% durante o governo Trump. Essa entidade oferece apoio aos imigrantes no país.
Recentemente, o influenciador brasileiro Júnior Pena, conhecido por compartilhar informações sobre a imigração para brasileiros nos EUA, foi detido. Ele teria sido preso por não comparecer a uma audiência de seu processo migratório e entrando ilegalmente no país, segundo relato do amigo Maycon MacDowel, que também mora na Flórida.
O Conselho Americano de Imigração ressalta que as detenções têm servido como pressão para que imigrantes aceitem a deportação, abandonando seus processos de regularização. Em novembro de 2025, para cada pessoa solta enquanto esperava audiência, mais de 14 foram deportadas diretamente, percentual muito maior que os dados do ano anterior.
O mesmo conselho calcula que o número de pessoas presas pelo ICE cresceu 75% no segundo mandato de Trump, de 40 mil para 68 mil, com previsão de chegar a 100 mil no início de 2026. Além disso, foi observado um crescimento de 600% nas prisões em massa, com maior dificuldade para pagamentos de fiança e diminuição significativa das liberações.
James Green, professor emérito da Universidade de Brown e presidente do Washington Brazil Office (WBO), destacou que juízes em Minnesota têm registrado muitas irregularidades nas detenção de imigrantes. Segundo ele, mesmo sem documentos, os imigrantes têm direito de não responder a agentes do ICE para não se auto-incrimina. Green afirma ainda que a meta do governo de prender 3 mil imigrantes por dia contribui para essas prisões ilegais.
O relatório da ONG indica que empresas privadas de segurança e administração de presídios se beneficiam financeiramente das políticas migratórias do ICE, cujo orçamento triplicou recentemente. Cerca de 90% dos detidos estão em instalações operadas ou pertencentes a essas empresas, e o número de centros utilizados pelo ICE aumentou 91% neste ano.
O aumento nas detenções tem piorado as condições nos centros de detenção, colocando os imigrantes em risco. Entre janeiro e dezembro de 2025, 30 detentos morreram sob custódia, mais do que no período da pandemia de covid. No Texas, casos de sarampo provocaram quarentenas em centros do ICE devido à disseminação da doença.
É comum a transferência de imigrantes entre estados, com famílias e adultos desaparecendo em um local e reaparecendo milhares de quilômetros distantes ou até mesmo em outro país após rápida deportação. Embora alguns habeas corpus tenham impedido algumas injustiças, a maioria dos detidos não possui recursos para contestar decisões do ICE.

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