Economia
Abrasel avisa sobre possível aumento de preços com mudança na escala de trabalho
Paulo Solmucci, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), participou de um debate promovido por veículos do Grupo Globo, onde destacou que a proposta de alteração da escala de trabalho pode pressionar os valores dos serviços essenciais, afetando principalmente os consumidores de baixa renda.
Ele explicou que a substituição da escala 6×1 pela 5×2, se for obrigatória, pode aumentar os custos de operações que dependem muito de mão de obra, como bares, restaurantes e clínicas médicas. Esse acréscimo tende a ser repassado aos consumidores.
Em bares e restaurantes, o aumento médio dos preços pode variar entre 7% e 8%. Em clínicas médicas, o percentual pode alcançar até 14% ou 15%, conforme o presidente da Abrasel.
O debate contou ainda com a presença do deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), do economista Naercio Menezes Filho e do especialista em relações de trabalho, José Pastore. A moderadora foi a jornalista Vera Magalhães.
A Abrasel enfatiza que a conversa sobre alteração da jornada deve ir além das relações entre empresas e trabalhadores, considerando também os efeitos no custo de vida da população. A entidade alerta que o consumidor, especialmente aqueles com renda menor, acabam absorvendo o aumento dos preços.
Paulo Solmucci ressaltou que as famílias com menor renda têm mais dificuldade para arcar com reajustes em despesas frequentes, como alimentação fora de casa e serviços de saúde.
Impacto para as empresas
Além do aumento nos preços, a associação aponta riscos para a estrutura dos negócios, principalmente para os de pequeno porte. A mudança na escala pode elevar em cerca de 20% os custos de mão de obra em setores como bares e restaurantes.
Empresas maiores conseguem absorver melhor o impacto ou reorganizar suas equipes, enquanto os pequenos negócios podem ter dificuldades para manter a competitividade.
“O golpe seria mais severo para estabelecimentos menores e regiões menos dinâmicas economicamente”, comentou Solmucci.
Ele também destacou o atual cenário do mercado de trabalho, que enfrenta escassez de mão de obra em alguns setores. Empresas com maior capacidade financeira tendem a atrair mais trabalhadores, aumentando desigualdades internas no mercado.
Jornada e produtividade
Apesar das críticas à alteração da escala, o presidente da Abrasel avalia que a redução da jornada semanal é um tema que pode ser discutido, desde que esteja atrelada a melhorias na produtividade. Uma diminuição de 44 para 40 horas semanais, por exemplo, pode ser possível em alguns contextos.
A entidade defende que o debate seja técnico e baseado em análise dos impactos econômicos e sociais, evitando decisões tomadas apenas a partir de questões pontuais da relação de trabalho.
Para a Abrasel, propostas desse tipo necessitam de uma avaliação aprofundada dos efeitos sobre empresas, trabalhadores e consumidores, principalmente em setores que dependem do funcionamento constante ao longo da semana.

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