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Adiamento da visita de Tarcísio a Bolsonaro pode ser tática para ganhar tempo na disputa
O adiamento da visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao ex-presidente Jair Bolsonaro, detido na Papudinha, foi interpretado por líderes do Centrão como uma manobra para conquistar mais tempo diante da indefinição do campo da direita na eleição presidencial.
Nos bastidores, a avaliação indica que o encontro, previamente autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), apresentava mais riscos do que possibilidades de benefícios para o governador, ao vinculá-lo prematuramente à estratégia eleitoral da família Bolsonaro.
A visita foi solicitada pela defesa do ex-presidente e, segundo o senador Flávio Bolsonaro (PL) comentou ao jornal Globo, o propósito era alertar Tarcísio sobre a importância de priorizar sua reeleição em São Paulo. Essa posição causou irritação no círculo próximo do governador, cujos aliados ainda consideram a hipótese de sua candidatura ao Planalto.
Correspondentes próximos a Tarcísio acreditam que, caso a visita tivesse ocorrido, dificilmente traria vantagem para seus objetivos políticos. Eles avaliam que Bolsonaro já decidiu apoiar o filho como pré-candidato à Presidência, e que um encontro particular dificilmente alteraria esse cenário. Mesmo assim, a percepção predominante é que o adiamento foi mais benéfico para o governador do que o encontro em si.
Segundo um líder do Centrão, Tarcísio preferiu evitar ser pressionado a tomar uma posição definitiva enquanto o bolsonarismo ainda tenta se reorganizar após a prisão do ex-presidente. Conforme essa visão, quanto mais tarde o encontro acontecer, maior a vantagem para o governador.
Nesse contexto, a visita passou a ser considerada um possível ‘ponto sem retorno’, pois poderia consolidar a expectativa de que Tarcísio adotasse um papel mais direto na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Para líderes do Centrão, essa ação seria arriscada, dado o alto índice de rejeição de Flávio Bolsonaro e a ausência atual de sinais claros de que o candidato indicado por Bolsonaro unificará a direita além de seu grupo mais leal.
Um dirigente do grupo resume a apreensão afirmando que um recuo do partido ‘ficaria mal para Bolsonaro e para Flávio‘, mostrando fragilidade e insegurança política. Para partidos do centro, essa instabilidade representa um aspecto desfavorável em um cenário que busca estabilidade para formar alianças.
A visita do governador ao ex-presidente, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, seria o primeiro contato entre eles desde a prisão de Bolsonaro no final de novembro e também a primeira conversa depois de o ex-presidente ter indicado formalmente o filho como candidato à Presidência, em dezembro.

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