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Economia

Agibank estreia na bolsa de Nova York e capta US$ 276 milhões, menos da metade do esperado

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O Agibank, banco focado em crédito consignado, realizou na terça-feira, 11, sua oferta inicial de ações (IPO) na Bolsa de Nova York, captando US$ 276 milhões, valor que inclui um lote adicional. Esse montante ficou abaixo da metade da captação inicialmente planejada, que era de US$ 828 milhões, segundo fontes próximas. As ações começaram a ser negociadas oficialmente nesta quarta-feira, 11, com preço inicial de US$ 12,00, no limite inferior da nova faixa de preço estabelecida.

Para realizar a operação, o Agibank precisou reduzir mais da metade da oferta inicialmente planejada. Na terça-feira, o banco anunciou a diminuição do volume de ações de 43 milhões para 20 milhões no lote principal e ajustou o preço por ação para o intervalo de US$ 12,00 a US$ 13,00, abaixo da faixa inicial de US$ 15,00 a US$ 18,00, conforme documento enviado à SEC (reguladora do mercado acionário dos EUA). O lote adicional também foi cortado de 6,5 milhões para 3 milhões de ações.

De acordo com pessoas envolvidas, o Agibank conversou com mais de 150 investidores internacionais recentemente, atraindo principalmente fundos de perfil de longo prazo, conhecidos como “long only”, além de fundos soberanos dos Estados Unidos e da Europa. Investidores brasileiros, que participaram da oferta do PicPay, estiveram mais cautelosos com esta operação do Agibank.

Nos últimos dias, havia pedidos para que o Agibank realizasse uma oferta menor e com preço mais baixo. A desvalorização das ações do PicPay na Nasdaq, que ultrapassou 15% desde o IPO, junto com dúvidas sobre o modelo de negócios do Agibank, que depende fortemente do crédito consignado, especialmente do INSS (onde possui 9% do mercado), geraram cautela entre os investidores após a recente queda das ações de tecnologia em Wall Street.

Segunda tentativa

Esta foi a segunda tentativa do banco gaúcho de abrir capital em Wall Street. Em 2018, o Agibank tinha considerado realizar o IPO, mas o cenário de mercado na época impediu o avanço, principalmente devido à volatilidade gerada pela greve dos caminhoneiros.

O banco recorreu a outras formas de captação para continuar seu crescimento, incluindo um aporte de R$ 400 milhões realizado pela gestora de private equity Vinci Partners, de Gilberto Saião, em 2020, e outro aporte de R$ 400 milhões quatro anos depois pela Lumina, de Daniel Goldberg.

A oferta realizada na terça-feira teve como objetivo inicial permitir a saída desses investidores, mas a operação foi apenas primária, com emissão de novas ações e recursos destinados à capitalização do banco.

Além dessa captação, o Agibank continua buscando recursos com bancos estrangeiros para financiar sua estratégia de expansão. O banco almeja alcançar R$ 100 bilhões em crédito até 2030. Em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias do Grupo Estado, no final de 2024, o fundador do Agibank, Marciano Testa, declarou que essa meta é “matematicamente possível”.

O Agibank projeta ultrapassar R$ 1 bilhão em lucro líquido em 2025, valor superior aos R$ 794,4 milhões registrados no ano anterior, conforme dados preliminares no prospecto enviado à SEC. A carteira de crédito do banco alcançou cerca de R$ 34,85 bilhões em dezembro do ano passado, aumento de aproximadamente R$ 10 bilhões em relação ao ano anterior.

Com 6,4 milhões de clientes ativos, o banco opera tanto com agências físicas quanto em plataformas digitais. Fundado em 1999 no Rio Grande do Sul, o Agibank evoluiu de financeira para banco digital, investindo em tecnologia e focando em créditos mais seguros, como o consignado, que têm a folha de pagamento dos clientes como garantia.

A linha de crédito para beneficiários do INSS exige atendimento presencial, que o Agibank destaca em suas apresentações. Aproximadamente 86% desse segmento é composto por empréstimos com garantia, incluindo crédito e cartão consignado.

O IPO teve a coordenação do Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citi. Também participaram Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Société Générale e XP Investment Banking.

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