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Alerj realiza sessão para escolher novo presidente com candidaturas retiradas e risco de baixa participação

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A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) marcou de última hora para esta quinta-feira (26) a eleição para seu novo presidente, mas o processo está cercado de dúvidas devido a um esforço dos partidos de oposição para boicotar a sessão e questionamentos judiciais sobre sua validade. Diante desse cenário, partidos de esquerda já apresentaram ações na Justiça para tentar suspender a votação.

Deputados acusam Guilherme Delaroli, atual presidente da Casa, de apressar a convocação da eleição para impedir que outros candidatos se articulem para a disputa.

Conforme o regimento interno, é necessária a presença de no mínimo 36 deputados — a maioria absoluta — para que a votação seja realizada. A oposição estima cerca de 23 ausentes, o que em princípio não impediria o quórum, mas dificultaria a formação de uma candidatura consolidada.

Partidos como PSD, PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB e MDB debatem uma estratégia conjunta. Embora tentem impedir a sessão, parlamentares admitem que não há certeza de sucesso na obstrução do processo.

— Não temos votos suficientes para impedir o quórum, mas vamos entrar com medidas judiciais mesmo assim — declarou o deputado Carlos Minc (PSB).

Até o momento, declararam interesse em disputar a presidência os deputados Douglas Ruas (PL) e Rosenverg Reis (MDB). O deputado Chico Machado (Solidariedade), que também cogitava candidatura, se manifestou repudiando a eleição e anunciou que não participará.

Controvérsia na convocação

Deputados de oposição criticam a convocação da eleição, que foi realizada com poucas horas de antecedência, e apontam possíveis irregularidades no processo, citando supostas violações ao regimento interno e decisões judiciais recentes.

O principal argumento é o artigo 20 do regimento da Alerj, que determina convocação com ao menos 48 horas de antecedência. No entanto, a sessão foi convocada com cerca de 20 minutos de aviso.

Para o deputado Luiz Paulo (PSD), o processo foi apressado, sem tempo para articulação política adequada:

— Uma sessão como essa deveria ter convocação mínima de 48 horas. É impossível organizar candidaturas e alianças em tão pouco tempo. Fomos surpreendidos — disse.

Além disso, parlamentares ressaltam a obrigatoriedade de cumprir decisões da Justiça Eleitoral após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, como recontagem de votos e posse de novo deputado, procedimentos que, segundo eles, não foram observados antes da eleição ser marcada.

Implicações jurídicas e políticas

O líder do PSOL, Flávio Serafini, afirmou que o voto ignora decisões judiciais e pode afetar diretamente a linha de sucessão do governo estadual.

— Estão desrespeitando normas internas e decisões da Justiça para eleger um presidente que poderá imediatamente assumir como governador interino. Isso fere o estado do Rio — criticou.

A disputa acontece em meio a uma crise institucional na Alerj e tem peso extra porque o presidente da Casa pode assumir temporariamente o governo estadual, conforme a linha sucessória. O resultado da eleição afeta não só o Legislativo, mas também o quadro político no Rio de Janeiro.

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