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Aliados de Bolsonaro pedem prisão domiciliar após transferência para a Papudinha
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestaram nesta quinta-feira reação à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ordenou a transferência do ex-presidente para uma sala no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”.
O grupo próximo a Bolsonaro reconhece que a mudança representa uma melhora em comparação à estadia na Superintendência da Polícia Federal, onde Bolsonaro estava desde novembro, mas consideram a mudança ainda insuficiente devido ao quadro de saúde do ex-presidente. Por isso, aliados reforçam o pedido por prisão domiciliar.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) criticou severamente a decisão:
— A Papudinha não é o local adequado porque, dadas as condições de saúde dele, ele necessita de prisão domiciliar — declarou o parlamentar.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), aliada do bolsonarismo e amiga próxima da primeira-dama Michelle Bolsonaro, qualificou a decisão como “absurda” e afirmou que o ex-presidente deveria deixar o sistema prisional e cumprir prisão em casa.
— Decisão absurda. Ele precisa ir para casa — frisou a senadora.
Aliados, reservadamente, reconhecem que a ordem de Moraes é favorável ao ex-presidente, pois a sala na Papudinha é maior e proporciona melhor assistência médica. Na Superintendência da Polícia Federal, a família reclamava do barulho do ar-condicionado e do tamanho da cela.
Alexandre de Moraes determinou que Bolsonaro seja transferido para o 19º Batalhão da PM-DF, onde também estão presos o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques. O local é conhecido pelo apelido “Papudinha” por sua proximidade com o Complexo Penitenciário da Papuda.
No mesmo despacho, o ministro ordenou que Bolsonaro seja submetido a exame médico por peritos da Polícia Federal, que avaliarão seu estado de saúde e a eventual necessidade de transferência para o hospital penitenciário. O ex-presidente foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo STF por tentativa de golpe de Estado.
Nos bastidores, parlamentares do PL avaliam a transferência como uma conquista parcial na disputa referente às condições da prisão, mas ressaltam que a medida não atende ao principal pedido do grupo: a concessão da prisão domiciliar. O entendimento no círculo próximo de Bolsonaro é que o debate sobre a saúde do ex-presidente continuará central na estratégia de pressão, aumentando o enfrentamento público com Alexandre de Moraes e reforçando a narrativa de que o ministro estaria impondo a Bolsonaro um regime de custódia mais rigoroso do que o necessário.

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