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Aliados de Bolsonaro tentam se aproximar do STF e buscam Gilmar Mendes por medo de prisão

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Com o avanço das investigações sobre o caso da trama golpista, aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro procuraram o ministro Gilmar Mendes, o mais antigo do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar convencê-lo a enviar o processo para a primeira instância.

Segundo pessoas envolvidas na negociação, a ideia era afastar o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo caso, do foco dos partidários de Bolsonaro e da administração de Donald Trump. O encontro ocorreu na segunda-feira (28), antes de o governo americano aplicar a Lei Magnitsky ao magistrado brasileiro.

O café da manhã realizado em Brasília contou com a presença do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do senador Rogério Marinho (PL-RN) e do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). Conforme relatos ao Globo, a conversa foi cordial, mas marcada por mensagens firmes.

Gilmar Mendes ouviu as ponderações do grupo, mas foi direto ao rejeitar qualquer possibilidade de que os pedidos fossem atendidos. Para ele, a transferência do processo da trama golpista à primeira instância não está em pauta.

Os parlamentares ainda mencionaram a iminente divulgação de sanções americanas contra Moraes. O ministro respondeu com firmeza, dizendo que o STF pode avaliar medidas para evitar que empresas brasileiras sejam obrigadas a seguir legislações estrangeiras, como a Lei Magnitsky, voltada para a punição de violadores dos direitos humanos.

Esse episódio foi visto como um sinal de fechamento para o grupo próximo a Bolsonaro. Após a sanção e o apoio a Moraes entre os integrantes do STF, a articulação perdeu força. Agora, alguns aliados focam sua atenção no presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, que até sexta-feira não mostrou abertura para reuniões com representantes do PL.

O encontro com Gilmar Mendes foi uma tentativa de aproximação entre o grupo político de Bolsonaro e o Supremo. Entre seus interlocutores, cresce a percepção de que o risco de prisão aumentou nas últimas semanas.

O Judiciário encerrou o recesso com uma sessão extraordinária nesta sexta-feira (1º), quando Moraes recebeu apoio de seus pares. Em um discurso de mais de 30 minutos, criticou fortemente aqueles que impuseram as sanções e fez referências indiretas a Bolsonaro e seus aliados.

Pressão aumenta

Fontes próximas ao ex-presidente relatam que ele demonstra inquietação com o avanço da crise após as sanções a Moraes. Enxerga isso como uma pressão internacional e teme retaliação ainda mais dura do ministro contra ele.

A sessão reforçou essa percepção entre seus apoiadores. As manifestações em defesa de Moraes e da soberania nacional foram interpretadas como um aviso de que o STF pretende se proteger e manter sua atuação independente. No plenário, o ministro criticou uma “organização criminosa miliciana” e afirmou que continuará seu trabalho normalmente, ignorando as punições.

— Esse relator vai desconsiderar as sanções aplicadas e seguir com seu trabalho — disse ele.

Em resposta, o deputado Sóstenes Cavalcante, um dos principais interlocutores do PL junto ao Judiciário, rebateu:

— Ele (Moraes) parece esquecer que foi ele quem primeiro sancionou esposas e filhos menores de réus; agora lamenta a possibilidade de sanção para a esposa dele? — afirmou.

Apesar do tom mais agressivo de alguns parlamentares publicamente, outros aliados continuam tentando reverter o isolamento com contatos e sondagens discretas. A avaliação predominante é que o clima no Supremo segue fechado a qualquer sinal de conciliação no curto prazo.

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