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Economia

Alta firme nas taxas de juros futuras com dados econômicos positivos

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As taxas de juros futuras negociadas na B3 subiram consistentemente desde a abertura da última sessão da semana, impulsionadas pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de novembro, que apresentou resultado superior ao esperado. Embora o dado seja um pouco defasado, ele veio na sequência de um desempenho melhor do que o previsto no varejo na quinta-feira, gerando debates sobre o momento e o orçamento do ciclo esperado de cortes na Selic.

Fontes consultadas pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, indicam que, durante as duas primeiras reuniões trimestrais entre economistas e o Banco Central, realizadas nesta sexta-feira (16) em São Paulo, houve consenso em descartar a possibilidade de redução da taxa básica de juros em janeiro. A avaliação predominante é que março seria um momento mais apropriado para tal decisão.

O aumento adicional dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) também foi influenciado pelos títulos do Tesouro americano. Os rendimentos dos títulos soberanos dos EUA reagiram a declarações do presidente Donald Trump sobre a permanência de Kevin Hassett como conselheiro econômico da Casa Branca, em vez de substituir Jerome Powell na presidência do Federal Reserve (Fed). Hassett é visto como alguém com maior propensão a flexibilizar a política monetária.

Ao final dos negócios, a taxa do contrato de DI para janeiro de 2027 avançou de 13,748% para 13,805%. Para janeiro de 2029, a taxa subiu de 13,076% para 13,195%, e para janeiro de 2031, de 13,371% para 13,495%.

Na análise semanal, houve um deslocamento ascendente da curva a termo, com aumento da inclinação. Comparado ao fechamento da semana anterior, o vértice de janeiro de 2027 subiu 4,5 pontos-base, o de janeiro de 2029 aumentou 13,5 pontos-base e o de janeiro de 2031, 15 pontos-base.

Os juros futuros de prazos mais curtos sofreram pressão logo após a divulgação do IBC-Br de novembro, que cresceu 0,68% em relação a outubro, ajustados sazonalmente — quase o dobro da mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, que era 0,35%. O indicador também revisou dados anteriores e chegou após o resultado positivo das vendas no varejo divulgado na quinta-feira.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, destaca que, após os recentes índices, economistas estão começando a elevar, ainda que de maneira modesta, as previsões para o crescimento do PIB no último trimestre e para o total de 2025. Ele enfatiza que o desempenho mais robusto da atividade no final de 2023 pode trazer impactos positivos para o crescimento de 2026.

“Algumas instituições que projetavam crescimento de 2,2% para 2025 já estão revisando para 2,3% ou 2,4%, o que pode elevar as estimativas para 2026 também. Apesar das variações serem pequenas, não vejo mais opiniões favoráveis a cortes na Selic em janeiro, e há menos convicção sobre março”, comenta Cruz.

Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, observa que as opções digitais de Copom na B3 indicam apenas 19% de chance de queda da Selic em janeiro, com redução de 0,25 ponto percentual. Para março, 30% esperam manutenção da taxa, enquanto 70% apostam em flexibilização, dividida igualmente entre cortes de 0,25 e 0,50 pontos. “O resultado do IBC-Br causou algum estresse no mercado, mas não acredito que isso atrasará o ciclo de cortes para além de março”, afirmou.

O Santander, embora tenha sido positivamente surpreendido pelo indicador, mantém sua previsão de estabilidade do PIB no quarto trimestre em relação ao terceiro (ajustado sazonalmente) e prevê expansão de 2,2% para 2025 e 1,5% para 2026. Conforme os economistas Gabriel Couto e Rodolfo Pavan, “a força do mercado de trabalho ainda compensa, em parte, o efeito negativo da política monetária”.

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