Economia
Apple celebra 50 anos com Tim Cook planejando sua sucessão
Ao completar meio século, a Apple está sob a liderança de Tim Cook, que foi CEO por 15 anos. Ele ultrapassou o tempo de liderança do fundador icônico, Steve Jobs.
Tim Cook está preparando a transição no comando da empresa enquanto enfrenta um período crucial que pode definir seu legado na gigante da tecnologia.
Com 65 anos, o atual CEO está mais próximo do fim de sua gestão do que do início, não por falta de desempenho, mas por ser o ciclo natural para quem elevou o valor de mercado da Apple de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões em quinze anos. Essa sensação de “final de ciclo” gerou especulações sobre a troca na liderança.
O favorito para sucedê-lo é John Ternus, vice-presidente sênior de engenharia de hardware. Com 50 anos, ele é o mais jovem da equipe executiva, o que pode proporcionar um mandato longo.
Essa escolha representaria um retorno do foco no desenvolvimento de hardware, área onde Cook foi criticado por não inovar tanto quanto Jobs.
Em novembro, o Financial Times sugeriu que a transição ocorreria até junho deste ano. Contudo, Mark Gurman, da Bloomberg, negou essa previsão. Analistas próximos da Apple acreditam que Cook permanecerá até pelo menos 2027, esperando a consolidação da estratégia de inteligência artificial (IA) e o 20º aniversário do iPhone.
Para o jornalista David Pogue, que cobre a empresa há 35 anos, a sucessão pode levar até cinco anos. Ele destaca que o sucessor será alguém interno da Apple, escolhendo entre pessoas altamente capacitadas do time Cook.
Desafios Atuais
Suceder Steve Jobs foi um grande desafio para Tim Cook, que ainda tem a missão de consolidar a Apple como uma empresa de serviços impulsionada pela IA, garantindo prosperidade para as próximas décadas.
Manoel Lemos, sócio-diretor da Redpoint eventures, afirmou que a IA será o teste decisivo para Cook. Apesar do sucesso financeiro, a Apple demorou a se destacar na área, chegando quase dois anos após outros gigantes apresentarem suas soluções.
Enquanto a Siri foi promovida como peça central, sua inteligência ainda foi demonstrada apenas em eventos, e os recursos recentes não empolgaram, levando a uma reorganização da divisão de IA no final de 2025.
Cook lançou produtos como Apple Watch, AirPods e Vision Pro, mas enfrentou estagnação em dispositivos físicos, enquanto concorrentes exploraram novas tecnologias como telas dobráveis e óculos inteligentes.
O verdadeiro legado de Cook será definido pela forma como ele conduzirá a Apple na revolução da IA.
Conquistas até o momento
Cook entrou para o clube das empresas trilionárias, tornando a Apple a primeira a atingir US$ 1, 2 e 3 trilhões em valor de mercado.
Ele transformou a Apple em uma potência de serviços como Apple Music, Apple TV e Apple Pay, que hoje representam uma margem de lucro média de 75%, crescendo a receita de US$ 20 bilhões para US$ 100 bilhões.
Além disso, comandou o desenvolvimento dos próprios chips, aumentando a eficiência e diminuindo a dependência de terceiros.
Em 2025, enfrentou desafios como políticas tarifárias dos Estados Unidos, que impactaram cadeias de suprimento e preços. Apesar disso, a Apple saiu quase ilesa, diferente de outras gigantes da tecnologia que ficaram associadas a controvérsias políticas.
David Pogue destaca a diferença entre Steve Jobs e Tim Cook: o primeiro era carismático e expressivo, enquanto Cook é reservado, analítico e silencioso. Entretanto, a escolha de Cook como sucessor foi um acerto surpreendente do fundador.
Apesar das especulações, Cook está focado em deixar um grande legado antes de passar o comando. Ele declarou que ama a Apple e valoriza o trabalho das pessoas ao seu redor, esperando continuar a inspirá-las a dar o melhor de si.


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