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Economia

Apps de entrega oferecem muito mais que comida

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O mercado de delivery não se restringe mais à entrega de refeições. Com a intensificação da concorrência, essas empresas têm diversificado seus serviços, incluindo desde pet shops e passagens aéreas até medicamentos e soluções financeiras.

Empresas e especialistas apontam que esse movimento é sustentado por investimentos em logística e inteligência artificial, que melhoram tanto a rapidez da entrega quanto a compreensão das preferências dos consumidores.

A 99, que começou como um serviço de mobilidade no Brasil e é controlada pela chinesa Didi, ampliou seu portfólio incluindo entrega de pacotes e transporte de cargas através da 99Entrega, além do delivery de comida com o 99Food. Também lançou o 99Pay, uma conta digital que oferece serviços de pagamento e outras soluções financeiras em seu app.

Com presença em mais de 3.300 cidades, a 99 investe R$ 2 bilhões até junho para expandir o 99Food para mais cem localidades. Segundo Bruno Rossini, diretor de Comunicação, o objetivo é consolidar o 99 como um superapp que conecta vários serviços em uma única plataforma.

O iFood, líder no setor de delivery de comida, também ampliou sua atuação, oferecendo diversas categorias e mantendo 500 mil estabelecimentos parceiros ativos. No segmento de farmácias, por exemplo, possui um marketplace com 22 mil unidades.

Bruno Henriques, CEO do iFood Pago e diretor de Operações, destaca o crescimento de 86% em categorias como pet shop, shopping e bebidas no último ano, refletindo uma clara mudança no comportamento do consumidor, que busca mais praticidade ao resolver várias necessidades em um único ambiente digital.

O iFood também estreitou parcerias estratégicas, como com a Decolar, que possibilita acumular pontos para viagens por meio dos pedidos. A integração com Uber permite pedir comida e corrida em ambos os apps. A empresa também atua no segmento de vale-refeição, com mais de um milhão de usuários, e oferece crédito para restaurantes através do serviço iFood Pago.

Especialistas ressaltam que a conveniência é a busca central dos consumidores, o que explica a expansão desses serviços para atender diferentes momentos de consumo, incluindo turismo, farmácia, floricultura e comidas congeladas, ampliando o papel dessas plataformas no comércio digital. Redes de supermercados e marcas de moda e beleza também começam a estabelecer lojas próprias dentro dessas plataformas.

O Rappi, que se define como um “delivery de tudo”, oferece uma vasta gama de produtos, focando em entregas rápidas apoiadas por pontos de coleta e centros de microdistribuição.

A empresa investiu em aquisições, como a Box Delivery, e firmou parcerias, por exemplo, com a Amazon. A Rappi Travel oferece serviços de venda de passagens aéreas, hospedagens e tours em mais de 140 países.

Para o Felipe Criniti, CEO do Rappi, o cliente valoriza variedade, rapidez e previsibilidade nas entregas. O Brasil, segundo ele, é um mercado chave na América Latina, com grande potencial de crescimento na expansão das categorias e melhoria da experiência do usuário.

Grandes nomes do comércio eletrônico também adotam essa estratégia de diversificação. A Amazon ampliou seu portfólio criando lojas de compras internacionais, seções com produtos a partir de R$ 5 e categorias de alimentos frescos e congelados.

Recentemente, foi lançado o Amazon Now, que oferece entregas em até 15 minutos em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, utilizando inteligência artificial para otimizar rotas e previsão de demanda.

Ricardo Pagani, diretor de Operações da Amazon Brasil, destaca que em 2025, produtos essenciais foram a maioria dos mais vendidos nas entregas expressas.

O Mercado Livre também busca expandir sua atuação, com planos para entrar no varejo farmacêutico e parcerias com marcas como Assaí, Decathlon, Natura, Pandora e Carolina Herrera, que oferecem lojas oficiais na plataforma.

Roberta Donato, vice-presidente de marketplace do Mercado Livre, destaca o fortalecimento da logística com 27 centros de distribuição no país e a redução do valor mínimo para frete grátis para R$ 19, além do crescimento dos serviços financeiros via Mercado Pago.

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