Brasil
Argentina pede desculpas após acusação de racismo no Rio
Vestindo uma blusa branca e calça jeans que cobria a tornozeleira eletrônica, a argentina Agostina Páez concedeu uma entrevista coletiva nesta quinta-feira pela manhã, no consulado de seu país, acompanhada por seus advogados. Ela se tornou ré no Rio de Janeiro por injúria racial, depois de realizar gestos imitando um macaco diante de funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul. A jovem, que também é advogada, expressou arrependimento e pediu desculpas às pessoas afetadas.
“Estou profundamente arrependida. Cometi um erro grave. Nunca tive a intenção de ofender ou discriminar”, afirmou, ressaltando que mesmo que sua reação tenha sido motivada por uma suposta ofensa, isso não justifica seu comportamento.
“Por isso, peço desculpas novamente”, completou.
A entrevista aconteceu no dia seguinte à audiência de instrução na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio. Agostina comentou que já havia pedido desculpas pessoalmente às vítimas durante a audiência.
De acordo com a defesa, o juiz emitiu parecer favorável ao pedido para revogar as medidas cautelares, permitindo que a cliente cumpra a pena em seu país natal, onde realizará serviços comunitários. Os advogados informaram que os próximos passos envolvem a definição do valor da indenização por danos morais que Agostina terá de pagar, a remoção da tornozeleira eletrônica, a data de sua saída do Brasil e os detalhes dos serviços que deverá executar na Argentina.
“A decisão final ainda não foi assinada, pois o juiz deve analisar formalmente o pedido de revogação das cautelares. A representante do Ministério Público apoiou nosso pedido para que Agostina retorne à Argentina. Ela concorda em reparar o dano às vítimas e realizar um depósito caução correspondente à metade do valor estipulado para a indenização”, explicou a advogada Carla Junqueira.
A advogada acrescentou que ainda não há um valor fixado para a reparação, mas o Ministério Público sugeriu uma quantia equivalente a dez anos do salário-mínimo brasileiro.
“Estamos otimistas com a decisão que o juiz tomará. Acreditamos que a justiça brasileira agiu com responsabilidade, aplicando a legislação de 2023 sobre injúria racial, combatendo o racismo e considerando a proporcionalidade da resposta, tendo em vista que a ré é uma jovem estrangeira, sozinha, que está no Rio há dois meses e meio, sem poder trabalhar ou retornar ao seu país”, disse Carla Junqueira.
Segundo ela, o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte reconhece a urgência na resolução do caso e prometeu agilizar os próximos passos.
O episódio que resultou na prisão de Agostina ocorreu em 14 de janeiro e, conforme seu relato, teve início após uma discussão com garçons em um bar de Ipanema sobre uma conta incorreta. Ela estava no local com amigos durante suas férias nas praias do Rio.


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