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Argentina pede desculpas por gesto racista no Rio

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Agostina Páez, uma argentina que se envolveu em um caso de injúria racial no Rio de Janeiro, falou nesta quinta-feira durante entrevista no consulado de seu país, acompanhada por seus advogados. Ela havia sido denunciada por ter imitado um macaco perante trabalhadores de um bar em Ipanema. Vestida com blusa branca e calça jeans que cobria a tornozeleira eletrônica, a jovem advogada expressou arrependimento e pediu desculpas às pessoas que ofendeu.

“Estou profundamente arrependida. Reconheço que errei seriamente. Em nenhum momento tive intenção de ofender ou discriminar”, declarou. Ela também mencionou que mesmo que suas ações tenham sido uma resposta a uma suposta provocação, não há desculpa para tal comportamento.

“Por isso, peço perdão mais uma vez”, acrescentou.

A entrevista ocorreu um dia após uma audiência na 37ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, onde Agostina já havia pedido desculpas diretamente às vítimas.

De acordo com a defesa, o juiz mostrou-se favorável ao pedido para que ela cumpra a pena em seu país, realizando serviços comunitários. Os advogados informaram que agora esperam a definição sobre o valor da indenização por danos morais que deverá ser paga, bem como sobre a remoção da tornozeleira e os detalhes de sua saída do Brasil e do tipo de trabalho comunitário que cumprirá na Argentina.

“Ainda não há uma decisão definitiva; o juiz ainda precisa oficializar o despacho sobre a revogação das medidas cautelares. A promotoria demonstrou apoio para essa revogação, permitindo que Agostina retorne à Argentina mediante o pagamento de uma caução relativa à indenização”, explicou a advogada Carla Junqueira.

O valor da compensação ainda não foi definido formalmente, mas o Ministério Público sugeriu que seja equivalente a dez anos do salário-mínimo brasileiro.

Segundo Carla, há otimismo quanto à decisão do juiz, por considerar que o caso foi tratado de forma justa, respeitando tanto a legislação contra o racismo quanto as circunstâncias de Agostina, uma estrangeira jovem, isolada no Rio e sem permissão para trabalhar, que já está no país há dois meses e meio.

O juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte entende que a situação requer soluções rápidas e está empenhado em agilizar a decisão final.

O incidente que resultou na prisão da argentina ocorreu em 14 de janeiro, após uma discussão sobre uma possível cobrança incorreta em um bar em Ipanema, local onde Agostina estava de férias com amigos. O confronto começou com os garçons do estabelecimento e culminou no gesto ofensivo que motivou o processo judicial.

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