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ataque dos eua fortalece extrema-direita na américa latina

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O ataque militar promovido pelos Estados Unidos contra a Venezuela revela uma estratégia do presidente Donald Trump para fortalecer a extrema-direita transnacional na América Latina. Essa análise é apresentada pela professora Clarissa Nascimento Forner, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Clarissa esclarece que a aproximação entre governos alinhados à extrema-direita já integra o projeto do governo Trump na região. “Por outro lado, há uma ofensiva clara contra governos que se opõem a essas ideologias extremistas.”

“Isso reforça o aspecto estratégico do Trumpismo, que envolve a articulação de redes transnacionais de extrema-direita, fortalecendo esses grupos na região e enfraquecendo possíveis governos ou partidos de oposição”, acrescenta a professora.

Além disso, Clarissa Forner observa que os Estados Unidos continuam a ser um fator de instabilidade tanto regional quanto global:

“No contexto da Venezuela, é provável que essa instabilidade interna persista, o que dificilmente será resolvido por uma intervenção ou administração militar norte-americana, conforme mencionado por Trump na coletiva”, disse, referindo-se ao pronunciamento do presidente estadunidense no dia 3 de junho.

Ela destaca que o governo Trump adota uma abordagem que gera instabilidade para justificar ações muitas vezes ilegais:

“Há o uso da força e o processo de tentativa de captura do presidente Maduro e sua esposa, um exemplo dessas ações que fogem a qualquer norma legal, sendo justificadas pela alegação de crise e combate ao crime.”

Segundo Clarissa Forner, essa situação instável também indica a possibilidade de futuras intervenções dos Estados Unidos na região:

“No discurso da coletiva, fica claro que a Venezuela pode não ser o último alvo, existindo a perspectiva de outros casos semelhantes na América Latina.”

Contexto

O ataque dos EUA à Venezuela representa um novo capítulo nas intervenções diretas de Washington na América Latina. A última intervenção militar dessa natureza ocorreu em 1989 no Panamá, quando os militares norte-americanos capturaram o então presidente Manuel Noriega, sob a acusação de tráfico de drogas.

Assim como ocorreu com Noriega, os Estados Unidos acusam o presidente Maduro de liderar um suposto cartel chamado De Los Soles, sem apresentar evidências concretas. Especialistas no combate ao tráfico internacional questionam a existência desse cartel.

O governo de Donald Trump chegou a oferecer uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Maduro.

Críticos veem essa ação como uma estratégia geopolítica para afastar a Venezuela de parceiros globais adversários dos EUA, como China e Rússia, além de garantir maior controle sobre as vastas reservas de petróleo venezuelanas, que são as maiores já comprovadas no mundo.

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