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Ataque dos EUA revela tentativa de fortalecer direita extrema
O ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela evidencia uma estratégia do presidente Donald Trump para impulsionar a direita extrema transnacional na América Latina. A análise é da professora Clarissa Nascimento Forner, do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Clarissa esclarece que a aproximação de governos com posicionamentos mais à direita extrema já faz parte do projeto do governo Trump na região. “Por outro lado, há uma ofensiva clara contra governos que adotam posições contrárias a essas ideologias extremistas.
Isso reforça o aspecto estratégico do Trumpismo, que consiste na articulação das redes transnacionais da direita extrema, fortalecendo essa direita na região e fragilizando possíveis governos ou partidos de oposição”, explicou a professora.
Além disso, Clarissa Forner destaca que os Estados Unidos continuam sendo um agente de instabilidade tanto regional quanto global:
“Em relação ao território venezuelano, a tendência é observar uma continuidade da instabilidade interna, que dificilmente será resolvida em curto prazo, mesmo com intervenções ou gestão militar norte-americana, conforme anunciado por Trump na coletiva”, comentou, referindo-se ao discurso do presidente dos EUA.
Ela atribui ao governo Trump um modus operandi que utiliza a produção de instabilidade para justificar ações que muitas vezes ultrapassam os limites da legalidade:
“O uso da força e tentativas de captura do presidente Maduro e sua esposa exemplificam ações que violam normas legais e são justificadas sob a alegação de enfrentar uma crise ou combate ao crime.”
Essa instabilidade também aponta, segundo Clarissa Forner, para a possibilidade de novas intervenções dos Estados Unidos na região:
“No discurso oficial, fica claro que a Venezuela não será o único alvo, sugerindo que outras intervenções podem ocorrer na América Latina.”
Contexto
O ataque recente dos Estados Unidos contra a Venezuela representa um novo capítulo nas intervenções diretas de Washington na América Latina. A última ação militar direta dos EUA na região foi em 1989, com a invasão do Panamá, quando sequestraram o então presidente Manuel Noriega, sob acusações de narcotráfico.
Semelhante a essa ação, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano, porém não apresentam evidências concretas. Especialistas em narcotráfico internacional questionam a existência desse cartel.
O governo Donald Trump ofereceu uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à captura de Maduro.
Para críticos, essa medida tem uma motivação geopolítica: afastar a Venezuela de aliados globais dos Estados Unidos, como a China e a Rússia, além de aumentar o controle sobre as vastas reservas de petróleo do país, que são as maiores do mundo comprovadas.

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