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Ataque em café na praia de Gaza deixa mais de 30 mortos

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Na segunda-feira (30), um ataque aéreo israelense matou 33 pessoas em um café localizado em uma praia na Faixa de Gaza. Segundo a Defesa Civil palestina, o café era um ponto de descanso e acesso à internet utilizado por jornalistas e ativistas. Outros bombardeios em diferentes partes da região mataram mais 40 pessoas, totalizando 73 fatalidades.

Imagens de vídeos divulgados mostraram equipes de resgate removendo corpos dos escombros do café e procurando sobreviventes. Autoridades locais confirmaram que o fotojornalista palestino Ismail Abu Hatab estava entre as vítimas.

“Sempre há muitas pessoas neste lugar, que oferece bebidas, espaço para famílias e acesso à internet”, relatou Ahmed al-Nayrab, de 26 anos, que presenciou a explosão. “Vi pedaços de corpos espalhados, destruídos e queimados. Foi uma cena chocante. Todos gritavam e os feridos pediam ajuda.”

Essa nova série de ataques em Gaza ocorre enquanto um enviado do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, visita Washington para tratar de um cessar-fogo. Essa visita acontece um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, solicitar um acordo para encerrar os 20 meses de conflito e libertar os 50 reféns mantidos pelo Hamas.

Ron Dermer, conselheiro de Netanyahu, tem reuniões agendadas com autoridades dos EUA para discutir negociações indiretas com o Hamas, as implicações da guerra contra o Irã e possíveis acordos diplomáticos regionais.

Exército israelense investiga bombardeio

O Exército de Israel informou nesta terça-feira (1º) que está analisando o ataque à cafeteria na Cidade de Gaza, ocorrido no norte da Faixa, alvo que teria como objetivo “diversos combatentes do Hamas”.

Um porta-voz militar declarou à AFP que o Exército “atingiu vários membros do Hamas”, movimento islâmico que iniciou a guerra com o ataque de 7 de outubro de 2023, no sul de Israel.

“Antes do ataque, foram adotadas medidas com vigilância aérea para minimizar danos aos civis”, disse o porta-voz e acrescentou que o episódio está sendo apurado.

Diplomacia e situação atual

O governo israelense está atento a um possível tratado de normalização das relações com a Síria, cujo avanço teria ocorrido nas últimas semanas. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, declarou sua intenção de firmar um acordo e estabelecer relações diplomáticas com Síria e Líbano, desde que haja reconhecimento da soberania israelense sobre as Colinas do Golan.

Essa região foi conquistada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. “Israel aplica sua legislação nas Colinas do Golan há mais de 40 anos. Em qualquer acordo de paz, essa área continuará parte do país”, afirmou Saar.

Durante o conflito em Gaza, os ataques israelenses se intensificaram em momentos críticos das negociações para um cessar-fogo. O primeiro-ministro Netanyahu afirmou que uma das metas da ofensiva iniciada em maio, após o fim de um cessar-fogo de dois meses, era conquistar o máximo possível de território, que poderia ser utilizado como moeda de troca nas conversas de paz.

O chefe do estado-maior do exército, Eyal Zamir, declarou no fim de semana que a operação estava quase alcançando seus objetivos. Netanyahu reforçou sua posição política interna, especialmente após a guerra com o Irã, estando agora numa posição mais forte para ignorar as ameaças dos aliados da coalizão de extrema direita, que podem retirar apoio parlamentar caso haja acordo com o Hamas.

No entanto, um consenso permanece difícil. O Hamas exige o fim total do conflito e não aceita rendição. Por sua vez, Israel recusa a retirada completa das tropas da Faixa de Gaza e afirma que só encerrará a ofensiva quando o Hamas for desmantelado e seus líderes estiverem exilados.

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